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    Com o varejo em destaque, PMEs avançam no mês de agosto

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    Apesar do crescimento geral das pequenas e médias empresas, setor de serviços seguiu mostrando tendência de perda de fôlego

    Lucas Torres

    [email protected]

    A movimentação real das Pequenas e Médias Empresas (PMEs) brasileiras voltou a crescer de maneira robusta ao longo do mês de agosto. Isso é o que concluiu a última atualização do Índice de Desempenho econômico das PMEs.

    Depois de resultados pouco animadores entre junho e julho, o índice apresentou um avanço de 4,7% na comparação com o mesmo período do ano anterior e de robustos 6,8% no comparativo com o sétimo mês deste ano.

    O cenário revela um contrabalanceamento entre a alta taxa básica de juros que, em tese, desacelera a evolução do consumo e dos investimentos, com uma deflação flagrada no país – sobretudo no âmbito dos combustíveis como a gasolina e o diesel, fator primordial não apenas para diminuir a pressão sobre o bolso do consumidor na hora de abastecer, mas, claro, na diminuição do preço de itens básicos majoritariamente transportados pela via rodoviária.

    Para além de uma análise mais geral, o índice revelou um resultado positivo das PMEs nos setores da indústria e do comércio.

    No primeiro, a movimentação financeira real do setor avançou 15,7% em agosto de 2022 na comparação anual, puxada por atividades ligadas ao setor coureiro, alimentício e químico.

    O segundo, por sua vez, se destacou com um crescimento de 10,6% no comparativo com agosto de 2021 e refletiu o avanço verificado no setor varejista, com destaque para atividades como: ‘varejo de artigos de cama, mesa e banho’, ‘varejo de calçados’ e ‘varejo de mercadorias em geral, com predominância de produtos alimentícios – minimercados, mercearias e armazéns’.

    Já pelo lado negativo, os indicadores de agosto demonstraram perda de fôlego de importantes segmentos como Infraestrutura e Serviços – cujas quedas no comparativo anual foram de respectivos 7,4% e 2,6%.

    Omie salienta que desaceleração dos serviços limitou maior crescimento das PMEs no período

    Em análise compartilhada com o Novo Varejo, a Omie chamou a atenção para o impacto que a desaceleração dos serviços possui no índice de PMEs como um todo – afinal, segundo informações do Sebrae, 47% dos 7 milhões de CNPJs ativos da categoria têm atividades ligadas a este setor.

    Em análise aprofundada no âmbito deste enquadramento, o gerente de indicadores e estudos econômicos da empresa, Felipe Beraldi, indica que a atual desaceleração se trata de uma disrupção de um bom momento vivido pelos serviços entre o segundo semestre de 2021 e o primeiro trimestre deste ano.

    “Considerando que a média móvel do índice limpa a série de flutuações meramente sazonais, observa-se uma clara perda de fôlego do setor no período recente”, colocou Beraldi.

    A Omie acrescenta ainda que, embora se espalhe por todo setor de serviços, os resultados ruins estão mais acentuados nos seguintes itens: ‘Saúde humana e serviços sociais’ e ‘Atividades profissionais, científicas e técnicas’.

    Além deles, sobretudo neste mês, foi observado uma performance abaixo da média nos segmentos ligados a ‘Transporte, armazenagem e correio’.

    Ao encerrar sua análise, a Omie destacou que, em linhas gerais, o atual momento de dificuldade dos serviços reflete a perda do sentimento de ‘tempo perdido’ observado no momento inicial do arrefecimento da pandemia.

    “A reabertura da economia com o maior controle da pandemia de covid-19 abriu espaço para a expressiva recuperação do setor de Serviços, tanto destinados a empresas quanto às famílias. No entanto, a situação mais fragilizada das finanças dos empresários e das famílias neste ano, por conta dos efeitos da elevada inflação e das altas taxas de juros, explica a reversão do desempenho do setor de Serviços nos últimos meses”, encerrou a empresa.

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