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    A valorização do dólar e seus reflexos no varejo e na economia

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    Em artigo, o presidente do IBEVAR e do Conselho do PROVAR, Claudio Felisoli, discutiu os impactos do dólar e da atual conjuntura econômica do país para o varejo

    Na reunião do Banco Central de 21 de agosto foi iniciado um processo de redução da taxa básica (SELIC). Nessa reunião a SELIC caiu de 13,75% a.a. para 13,50%, ou seja, uma queda de 0,5 pp. O movimento de redução foi mais uma vez repetido na reunião do dia 20 de setembro pp., quando a taxa passou a ser 12,75% a.a.

    Essa reversão sinalizou uma mudança iniciada em março de 2021, quando a SELIC passou a apresentar uma trajetória monotonicamente crescente. Esse aumento foi provocado pelo aumento das pressões inflacionárias (IPCA agosto/agosto 2020 2,5%, 2021 9,7%, 2022 8,7%). A política do BC trouxe para baixo a inflação.

    Arcabouço fiscal

    Comparando com a mesma base, isto é agosto/agosto, o IPCA registrou em 2023 4,6%a.a. A queda da inflação permitiu, portanto, como já assinalado, a referida queda. Porém, a redução dos juros torna o Brasil menos atrativo aos investidores estrangeiros.

    Como o Brasil ainda tem uma das maiores taxas básicas de juros do mundo descontada a inflação, pode-se dizer também que o movimento de saída de dólares incorpora também um aumento da desconfiança dos investidores em relação aos rumos da política econômica. Em que pese o fato de ter sido aprovado o arcabouço fiscal, há preocupações sobre as reais condições políticas do governo equilibrar receitas e despesas.

    Benefícios para quem? 

    De qualquer forma é interessante indagar quem pode se beneficiar dessa valorização cambial e por quê?

    Pode se apontar os seguintes agentes econômicos:

    Exportadoras: Empresas que exportam produtos para o exterior podem se beneficiar de um dólar mais forte, já que isso pode tornar seus produtos mais competitivos nos mercados internacionais. Com um real mais fraco, os produtos brasileiros podem ser mais baratos para compradores estrangeiros, o que pode impulsionar as exportações.

    1. Empresas com Receitas em Dólar: Empresas que têm receitas denominadas em dólar, como algumas empresas de commodities (agricultura, mineração, petróleo), podem ver um aumento nas receitas quando o dólar se valoriza em relação ao real. Isso ocorre porque suas vendas em dólares se traduzem em mais reais quando convertidas.
    2. Setor de Turismo: Empresas do setor de turismo podem se beneficiar com o dólar mais forte, já que um real mais fraco pode tornar o Brasil um destino mais atraente para turistas estrangeiros, tornando viagens ao país mais acessíveis.
    3. Empresas com Dívidas em Dólar: Se uma empresa brasileira tiver dívidas denominadas em dólar, uma valorização do dólar em relação ao real pode reduzir o valor real de suas obrigações em termos de reais, o que pode ser vantajoso para o serviço da dívida.
    4. Empresas Importadoras: Embora a valorização do dólar possa aumentar os custos de importação para algumas empresas, aquelas que têm margens de lucro suficientemente altas podem se beneficiar da diferença entre os preços de compra em dólares e os preços de venda em reais.
    5. Empresas de Tecnologia e Software: Empresas de tecnologia que fornecem serviços ou produtos baseados em software muitas vezes têm uma operação global e podem se beneficiar de uma moeda local mais fraca, pois isso pode tornar seus produtos e serviços mais acessíveis para clientes estrangeiros.

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