Pesquisa mostra que 39% pretendem movimentar o mercado com produtos voltados para o amor, conquista ou blindagem espiritual da relação
O amor e a fé caminharão de mãos dadas no Dia dos Namorados deste ano. Uma pesquisa inédita realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) em parceria com a Offerwise Pesquisas revela que a busca por blindagem espiritual ou conquista amorosa vai engajar 39% dos consumidores em gastos com o mercado místico. O dado projeta um contingente expressivo de 38,5 milhões de consumidores que pretendem realizar alguma simpatia ou ritual direcionado à conquista ou ao fortalecimento do relacionamento amoroso, movimentando as vendas de setores específicos do comércio nas semanas que antecedem o dia 12 de junho.
De acordo com o levantamento, os gastos voltados a rituais para o amor dividem-se principalmente no setor de perfumaria e cosméticos especializados (24% das menções), com destaque para fragrâncias com feromônios, óleos corporais e banhos de ervas. Em seguida, aparecem peças de lingerie ou vestuário em cores ritualísticas para atrair energia e paixão (14%), seguidas por velas coloridas e incensos temáticos (12%) e itens de decoração devocional (11%), como imagens de Santo Antônio, fontes de água ou objetos em pares. Por outro lado, o ceticismo absoluto ou distanciamento da prática impera em 54% da amostra.
Vaidade em alta: preparação estética para a celebração movimenta o varejo
O estudo mostra que, além do misticismo, o investimento na própria imagem é prioridade para a celebração. Seis em cada dez consumidores (67%) pretendem adquirir algum produto ou serviço para se preparar esteticamente para o amor. As intenções de compra para o “ritual de preparação individual” incluem roupas, calçados e acessórios (35%), perfumes, cosméticos e maquiagem (32%), lingeries e peças íntimas (21%, sobretudo entre as mulheres) e tratamentos estéticos (18%).
65% preferem surpresa no presente e 1 a cada dez vão às compras de última hora
Quando o assunto é a dinâmica do casal, o fator surpresa ainda domina: 65% dos consumidores preferem não definir previamente o presente que vão ganhar, motivados pelo desejo de serem surpreendidos (36%) ou pela preferência de que o parceiro faça a escolha por iniciativa própria (23%). Já 35% dos entrevistados — tendência mais acentuada entre o público feminino — optam por indicar diretamente o item desejado para garantir o que querem (22%) ou evitar erros na escolha (10%).
O calendário de compras mostra que o comércio deve se preparar para um fluxo intenso na primeira semana de junho, período escolhido por 41% dos entrevistados, enquanto 29% se anteciparam em maio. O comportamento de “última hora”, no entanto, persiste: 10% assumem que vão deixar para comprar o presente na véspera da data, um comportamento puxado majoritariamente pelo público masculino e que representa cerca de 9,9 milhões de pessoas correndo aos centros de compras no último instante.
Sacrifício financeiro e riscos ao orçamento para aquisição do presente
A determinação em não deixar o Dia dos Namorados passar em branco vai exigir fôlego financeiro e jogo de cintura dos brasileiros. O levantamento da CNDL aponta que 60% dos consumidores adotariam ações contingenciais ou medidas drásticas para garantir o presente.
Entre as estratégias mais comuns de remanejamento orçamentário estão a redução de gastos supérfluos imediatos, como bares e delivery (25%), o adiamento de compras de uso pessoal como vestuário e eletrônicos (23%) e a opção pelo parcelamento, mesmo cientes do impacto negativo que isso trará para o orçamento dos meses seguintes (23%).
O dado mais alarmante da pesquisa liga o alerta para o superendividamento: em cenários de forte restrição, 10% dos apaixonados aceitariam recorrer ao limite do cheque especial ou a empréstimos rápidos para viabilizar a comemoração, enquanto 7% admitem que estariam dispostos a atrasar uma conta fixa ou utilizar o dinheiro destinado a gastos básicos e vitais, como saúde e alimentação, para garantir o presente do parceiro.

