Responsável pela área de varejo na TOTVS, Eloi Assis falou com exclusividade para o Novo Varejo
A inteligência artificial e suas aplicações práticas nos negócios estiveram no centro das discussões do Universo TOTVS 2026, realizado nos dias 13 e 14 de outubro, no Expo Center Norte, em São Paulo.
Com uma programação voltada à combinação entre inteligência humana e tecnologia, o evento reuniu executivos e especialistas para discutir caminhos para ampliar a produtividade, a eficiência operacional e a competitividade das empresas.
No varejo, a TOTVS apresentou iniciativas que buscam incorporar agentes de IA aos processos cotidianos das empresas, desde a gestão de estoques e o abastecimento até a precificação e o desempenho das equipes de vendas. A proposta é fazer com que a tecnologia deixe cada vez mais de ser uma ferramenta isolada e passe a atuar de maneira integrada aos sistemas de gestão, apoiando a tomada de decisões e a execução de tarefas.
Mas quais segmentos varejistas estão mais avançados nessa transformação? A tecnologia já está acessível aos pequenos negócios? E quais são os principais obstáculos para sua adoção?
Em entrevista exclusiva ao Novo Varejo durante o evento, Eloi Assis, executivo responsável pelo segmento de varejo da TOTVS, respondeu a essas questões e destacou a organização dos dados como um dos principais desafios para que as empresas aproveitem o potencial da inteligência artificial.
Confira a seguir:
Novo Varejo: Quais são as prioridades da TOTVS para o varejo apresentadas durante o evento?
Eloi Assis: Bem, acho que as prioridades que a gente está trazendo estão muito centradas na questão dos agentes de IA.
Justamente porque, no fim das contas, acho que o grande movimento que está acontecendo na indústria é como é que a gente vai conseguir fazer com que as empresas sejam mais produtivas através do uso de agentes.
E isso está se materializando de verdade à medida que a gente está colocando eles em processos reais, onde os nossos clientes trabalham junto conosco para construí-los em fluxo de trabalho, observando maneiras de reduzir trabalho repetitivo e de baixo valor agregado.
A gente percebeu que o uso da inteligência artificial podia acelerar muito a produtividade se aplicada de maneira conjunta com o ser humano para tornar o trabalho mais assertivo e entregar resultados melhores.
Novo Varejo: Quais segmentos do varejo estão conseguindo capitalizar melhor o potencial da IA? E quais ainda estão na experimentação?
Eloi Assis: Eu te diria que o varejo alimentar está bem avançado. Ele tem feito um trabalho muito bom aí de uso de IA, especialmente na parte de compras e abastecimento, que eu acho que é um dos lugares onde a IA tá bem avançada.
E eles já têm experimentado com a parte de precificação, que é um negócio que já está sólido, mas ainda tem um chãozinho interessante para avançar.
Eu te diria que outro segmento que está andando bem e está fazendo um trabalho super legal é a parte de moda, que também tem feito um trabalho super legal de posicionamento, de marketing e merchandising.
Eu acho que tem alguns segmentos que ainda tem um trabalho para ser desenvolvido, a parte de Home Center, Martcom, etc.
Novo Varejo: Em termos de investimento, para quais portes de empresas a IA já está acessível?
Eloi Assis: Hoje eu posso dizer com bastante tranquilidade que a gente tem feito IA para todos os portes de empresas.
Tem IA que a gente tem disponível e que funciona para o varejista de uma loja, que é um assistente que você consegue conversar com ele pra poder perguntar quanto vendeu no dia e o agente consegue ajudá-lo a entender não só quanto ele vendeu, mas também ajudá-lo a prever quanto é que ele precisa comprar amanhã.
Essa funcionalidade, inclusive, não é nem que ela não custa caro, ela realmente não custa nada.
Ela é gratuita para os primeiros usos, para que o empresário possa experimentar, testar, usar, etc. E aí, se ele vê que tá usando e tá dando certo, ele começa a discutir questão de custo.
Novo Varejo: Quais são os principais ganhos que os agentes de IA já podem proporcionar ao varejo?
Eloi Assis: Acho que um dos mais óbvios é esse de estoque mesmo. Até porque, estoque parado ou falta de estoque são duas das coisas que mais aflige o varejista atual.
A IA está super madura pra isso e ela tem sido usada em casos fantásticos de uso, onde você consegue comprar melhor, o que e quanto comprar para não faltar, que é a ruptura, e o quanto comprar pra não sobrar, que é o excesso de estoque.
Outro caso que está acontecendo bastante agora é a IA pra inteligência de dados, para te ajudar a entender melhor o comportamento da venda com o seu vendedor no piso de venda.
Ela ajuda o vendedor e o próprio gerente de vendas a poder entender o que o vendedor está fazendo no piso de vendas.
Ela pode ajudar o vendedor nas orientações, falando – poxa, naquela venda você podia ter oferecido esse produto, naquela situação de venda você podia ter tentado essa combinação com aquele cliente.
Ela age quase como um coach, um copiloto do vendedor para que ele possa fazer vendas de melhor qualidade, oferecer melhores produtos para poder fazer com que a venda seja de um ticket médio maior, agregar mais produtos na venda que eventualmente possam ser do interesse do cliente, Ou ainda perceber que o vendedor está dando muito desconto pra poder fazer a venda passar e a margem da loja tá caindo.
Novo Varejo: Qual é a capacitação necessária para que o varejista consiga operacionalizar a IA?
Eloi Assis: Não, esse é o grande barato da IA, né? Ela praticamente se ensina.
Como ela dialoga com você, você consegue escrever, conversar, falar, falar com voz, etc, ela não é difícil de usar.
O maior desafio da IA hoje eu te diria que é muito menos o aprendizado do que os dados que você vai usar para que ela funcione bem.
A pergunta que o varejista precisa fazer é – eu estou com dados bem arrumados para poder fazer a IA funcionar?
Quando você tem um bom sistema de gestão integrado, onde os seus dados se conversam, compras, vendas, cadastro de clientes, tá tudo integrado, funcionando direitinho, então você já tem algo jogando muito ao seu favor.
Por outro lado, quando você tem silos de informação, com um sistema de vendas que tá num canto, cadastro de clientes em outro canto, você tem as suas compras que estão em outro canto… As coisas não se integram e, normalmente, o que acontece é que você vai ter um problema de dados e na hora que você quiser fazer uma IA fazer sentido de tudo, ela não vai conseguir.
Então você vai ter que parar para arrumar seus dados para aí você poder jogar a IA por cima.

