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    Fim da escala 6×1 pode elevar em R$ 2,4 bilhões por ano os custos do varejo paulistano

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    Sindilojas-SP aponta aumento potencial dos gastos com folha de pagamento e necessidade de até 52 mil trabalhadores adicionais para varejo paulistano manter as operações com jornada semanal de 40 horas

    A redução da jornada semanal de 44 para 40 horas pode exigir até 52 mil trabalhadores adicionais no comércio varejista da cidade de São Paulo, com impacto estimado de R$ 2,4 bilhões por ano. A projeção é do Sindilojas-SP (Sindicato do Comércio Varejista de São Paulo), com base em dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), e considera a manutenção do volume atual de horas trabalhadas, sem redução salarial.

    Segundo o levantamento, o varejo paulistano reúne cerca de 595,2 mil vínculos formais de emprego. Desse total, aproximadamente 520,6 mil, o equivalente a 87,5%, correspondem a trabalhadores com jornadas de 44 horas semanais. Com a redução para 40 horas, a reposição das horas de trabalho por meio de novas contratações seria uma alternativa para manter o funcionamento das operações nos moldes atuais.

    A dimensão do desafio aparece na comparação com o desempenho recente do mercado de trabalho. Em 2025, o varejo paulistano gerou pouco mais de 9 mil postos de trabalho formais líquidos, número inferior à necessidade adicional estimada pelo sindicato. Para a entidade, as restrições financeiras e operacionais das empresas podem dificultar a absorção dessa demanda por mão de obra.

    “O aprimoramento das relações de trabalho é um objetivo legítimo, mas mudanças dessa magnitude precisam estar ancoradas no planejamento, na previsibilidade e na análise técnica. Uma redução de jornada desacompanhada de ganhos reais de produtividade traz um resultado inevitável: aumento dos custos de produção e de operação das empresas”, afirma Aldo Nuñez Macri, presidente do Sindilojas-SP.

    Custos adicionais podem pressionar preços e contratações

    O sindicato avalia que a mudança ocorre em um cenário desafiador para o comércio, marcado pelas incertezas relacionadas à reforma tributária, pela revogação da chamada Taxa das Blusinhas, que favorece plataformas estrangeiras, e pelo elevado endividamento de famílias e empresas. Na avaliação da entidade, esses fatores afetam a competitividade do varejo, o consumo e a capacidade de investimento.

    Com margens reduzidas, os varejistas podem enfrentar uma escolha entre ampliar os gastos com a folha de pagamento, contratar novos funcionários ou adaptar a operação à disponibilidade de mão de obra. Caso os custos adicionais não sejam compensados por ganhos de produtividade, parte da pressão poderá chegar aos preços, enquanto as limitações para novas contratações podem restringir a geração de empregos.

    “Alguém pagará essa conta. E, infelizmente, ela tende a ser dividida entre consumidores, por meio da inflação, e trabalhadores, pela diminuição das oportunidades de emprego”, diz Macri.

    A entidade também critica a condução da discussão sobre o fim da escala 6×1, argumentando que uma mudança dessa dimensão exige planejamento e análise dos efeitos econômicos sobre as empresas, especialmente em atividades que dependem de equipes presenciais e funcionamento contínuo.

    Proposta prevê transição gradual

    O Senado Federal aprovou, em dois turnos, em 14 de outubro de 2026, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que prevê o fim da escala 6×1, a adoção de dois dias de descanso semanal remunerado e a redução da jornada máxima de 44 para 40 horas, sem diminuição salarial. Em 15 de outubro, o texto aguardava promulgação para iniciar sua implementação. A transição prevista reduz a jornada para 42 horas semanais dois meses após a promulgação e para 40 horas após mais 12 meses.

    Para o Sindilojas-SP, a adaptação exigirá atenção à capacidade de investimento e à produtividade das empresas, especialmente em atividades que dependem de equipes presenciais e funcionamento contínuo.

    “Sem crescimento da produtividade, não há como ampliar custos indefinidamente sem comprometer a sustentabilidade dos negócios. Como proteger o emprego e os direitos sem empresas capazes de sobreviver? É uma conta que não fecha”, conclui Macri.

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