Eficiência energética, manutenção e controle de temperatura estão entre os 5 pontos que os lojistas precisam se atentar para evitar prejuízos e garantir uma boa experiência do cliente
Em muitos negócios do varejo, a refrigeração ainda é vista apenas como um custo elevado na conta de energia. No entanto, os sistemas de refrigeração são parte estratégica da operação e podem impactar diretamente o lucro. Os produtos frescos e refrigerados são os que mais sofrem com perdas e desperdícios, de acordo com a 25ª Pesquisa de Eficiência Operacional realizada pela ABRAS (Associação Brasileira de Supermercados). Para o segmento de FLV (Frutas, Legumes e Verduras), o índice de ineficiência pode chegar a 4,73%, e o de açougue a 2,74%, ambos devido à alta sensibilidade térmica e manipulação realizada de forma incorreta.
Responsável por conservar produtos, garantir a segurança alimentar e manter a qualidade da experiência do consumidor, a chamada “cadeia do frio” vai muito além do funcionamento de geladeiras e freezers. Quando bem estruturada, ela reduz perdas, otimiza custos e aumenta a eficiência do negócio. Quando negligenciada, pode gerar desperdícios, aumento de consumo energético e até a perda de clientes. Pensando nisso, Priscila Baioco, Diretora Comercial da Refrigeração da Elgin, apresenta 5 pontos que os lojistas precisam se atentar quando o assunto é refrigeração e resultados no varejo.
1. Eficiência energética: vilã ou aliada da conta de luz
Em supermercados de médio porte, os equipamentos de refrigeração podem representar até 50% da conta de energia. Quando se considera também o ar-condicionado, esse percentual pode chegar a 60%, segundo dados do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel) e da Abrava (Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento). Equipamentos desatualizados ou mal regulados elevam significativamente esse custo.
Por outro lado, soluções mais modernas e eficientes podem reduzir o consumo de forma relevante: a substituição de refrigeradores comerciais antigos por modelos mais eficientes pode reduzir em mais de 40% o consumo de energia da operação, segundo o Procel. No Brasil, são cerca de 7 milhões de unidades de refrigeração comercial em operação, e estudos do Ministério de Minas e Energia (MME) indicam que a regulamentação de eficiência energética destes equipamentos tem potencial de gerar uma economia de 2,4 TWh por ano e evitar a emissão de 1,1 milhão de toneladas de CO₂ equivalente. Investir em tecnologia adequada deixa de ser gasto e passa a ser estratégia financeira.
2. Conservação de produtos: evitar perdas é garantir lucro
A refrigeração tem impacto direto na durabilidade e qualidade dos produtos, especialmente em setores como supermercados, farmácias e food service.
Falhas no controle de temperatura podem levar à perda de alimentos, medicamentos e outros itens sensíveis, gerando prejuízo imediato. Além disso, produtos mal conservados comprometem a reputação do estabelecimento e afetam a confiança do consumidor.
3. Manutenção preventiva: o custo invisível que vira prejuízo
O terceiro dos 5 pontos que os lojistas precisam se atentar é o perigo de negligenciar a manutenção dos sistemas de refrigeração no varejo é negligenciar a manutenção dos sistemas de refrigeração. Sem acompanhamento adequado, equipamentos operam sob esforço excessivo, consumindo mais energia e reduzindo sua vida útil.
Sistemas de refrigeração mal ajustados ou obsoletos podem elevar o consumo de energia em até 20%, segundo o Procel. A manutenção preventiva, por outro lado, prolonga a vida útil dos equipamentos e reduz o risco de falhas críticas, como a queima de compressores, considerados o “coração” do sistema. O resultado de uma falha desse tipo envolve custos com reposição, paralisação da operação e perda de produtos.
4. Sustentabilidade e operação inteligente
A busca por soluções mais sustentáveis tem ganhado espaço no varejo, e a refrigeração é um dos principais pontos de atenção. Sistemas mais eficientes reduzem não apenas o consumo de energia, mas também a emissão de poluentes.
Além disso, tecnologias que permitem monitoramento e controle mais preciso dos equipamentos ajudam a otimizar a operação, reduzir desperdícios e alinhar o negócio às demandas ambientais e regulatórias do mercado.
5. Experiência do cliente: o impacto que vai além da temperatura
A refrigeração também influencia diretamente a percepção do consumidor e, consequentemente, a decisão de compra. Produtos frescos, bem conservados e expostos na temperatura ideal contribuem para uma experiência de compra positiva.
Por outro lado, itens com aparência comprometida ou armazenados inadequadamente podem afastar clientes e impactar a fidelização. Em um cenário competitivo, a qualidade percebida pode ser decisiva para o retorno.

