Com investimento expressivo de Rafael Ferri, ações da Casas Bahia disparam e tem valorização de mais de 200% nos últimos 30 dias. Veja detalhes do levamento exclusivo do after.lab
Por Lucas Torres, 2/04, às 9h40
Março foi marcado por uma recuperação consistente no mercado brasileiro de ações, com destaque para o setor de varejo. De acordo com levantamento exclusivo do after.lab, o INVA (Índice Novo Varejo de Ações) avançou 16,45% no período, refletindo o bom desempenho de grande parte das empresas listadas, com destaque para as ações da Casas Bahia (BHIA3), que acumularam valorização superior a 239% no mês.
O resultado do INVA ficou muito acima do Ibovespa, que também teve um desempenho positivo, com alta de 6,08% — a maior desde agosto de 2024, quando o principal índice da B3 subiu 6,54%. Ao final de março, o Ibovespa atingiu a marca de 130 mil pontos e passou a acumular valorização de 8,29% no ano. O índice vem se recuperando desde a mínima de 118 mil pontos, atingida no início do ano, e testou, na última semana do mês, sua máxima anual, de 133.904 pontos.

As ações da Casas Bahia foi o principal vetor de valorização do INVA em março. Após iniciar o mês cotada a R$ 2,65, a ação fechou acima de R$ 10, impulsionada pela entrada do investidor Rafael Ferri, da GTF Capital, como acionista relevante, com 5,11% de participação. Ferri justificou o movimento com base em três pilares: o preço atrativo do papel, a expectativa de queda dos juros e uma visão de médio prazo sobre a recuperação operacional da empresa.
A movimentação atraiu outros investidores e impulsionou não apenas BHIA3, mas também outros papéis do setor, como Magazine Luiza, Quero-Quero, Grupo SBF, Vivara e Pão de Açúcar, que também registraram altas expressivas.

Segundo a analista do BB Investimentos, Andréa Aznar, o cenário macroeconômico favorável foi determinante para a valorização do varejo em março. “Com o mercado de trabalho aquecido, o fechamento da curva de juros e indicadores de atividade acima do esperado, os investidores passaram a enxergar um potencial de recuperação de lucros no setor de consumo”, afirma.
A analista destaca que o IBC-BR de janeiro, com alta de 0,89%, superou as projeções de mercado e reforçou a expectativa de um PIB mais forte no primeiro trimestre. Além disso, o saldo positivo de 432 mil novos empregos formais e a queda da taxa de desocupação para 6,8% indicam um ambiente mais favorável para o consumo. A massa de renda real teve aumento anual de 10,3%, ampliando o poder de compra das famílias.
O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) também voltou a subir, após três meses de queda, com avanço de 0,7 ponto em março. Embora ainda permaneça em campo pessimista, a melhora foi puxada por consumidores de maior renda, o que pode influenciar segmentos de maior valor agregado no varejo.

Apesar do desempenho amplamente positivo do setor, algumas empresas encerraram o mês no campo negativo. Grupo Natura, Mobly e Mercado Livre estiveram entre as ações que registraram perdas, com destaque para a Natura, que recuou mais de 20% no período. A empresa atravessa um processo de reposicionamento estratégico, em um momento de maior competição no setor de cosméticos.
Mobly e Mercado Livre também enfrentaram pressões no e-commerce, diante de um ambiente mais seletivo no consumo e de margens pressionadas.
Neste contexto de existência de pontos de atenção em meio a um cenário majoritariamente positivo, a analista do BB Investimentos, Andréa Aznar, destaca o problema da inadimplência. Isso porque os dados de janeiro do Banco Central apontaram um aumento de 0,3 ponto percentual na inadimplência das pessoas físicas, que chegou a 5,5%. Já o levantamento do Serasa, que também considera contas de serviços como água, luz e gás, mostrou que 46,16% da população brasileira está com alguma conta em atraso, o maior nível da série histórica.

O INVA
O INVA é o índice criado pelo grupo Nhm para medir movimentações nas ações do segmento varejista listadas em Bolsa. Sua ideia é proporcionar uma leitura sobre o desempenho das operações relacionadas ao varejo que abriram capital e usam o pregão do Ibovespa para conquistar investidores e alavancarem seus negócios.
A metodologia do estudo reúne as movimentações diárias dos índices de fechamento de cada ação para criar uma média, o INVA – número médio medido entre a variação das 26 empresas selecionadas, que é comparado com o índice do Ibovespa gerando gráficos para a checagem do comportamento do varejo em relação à movimentação do mercado em geral, regulando os índices de forma a perceber variações em tempo real.