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    Fintech Fidexa de cobrança no varejo atrai empresário que levantou US$ 130 milhões em rodadas internacionais

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    Fidexa recuperou R$ 39,34 milhões para lojistas do varejo, já atingiu breakeven, e agora lança o Fidexa Pay para clientes com o ERP da TOTVS Linx  

    No varejo regional brasileiro, o crediário próprio segue como uma das principais engrenagens de vendas, mas também representa um dos maiores gargalos financeiros para pequenas e médias empresas. Lojistas que dependem do parcelamento direto convivem com processos manuais, cobranças dispersas e dificuldade para monitorar recebíveis em tempo real. Foi para profissionalizar essa gestão que a Fidexa foi fundada em outubro de 2025 por Bruno Reis, Hudson Ribeiro e Leonardo Azevedo. A fintech desenvolveu uma plataforma que usa inteligência artificial, WhatsApp e Pix para automatizar o ciclo de cobrança, do aviso preventivo ao acordo de parcelamento, incluindo débitos em atraso e cobranças antes consideradas de baixa probabilidade de recuperação.

    Em menos de um ano de operação, a fintech já recuperou R$ 39,34 milhões para seus clientes — sendo R$ 34 milhões referentes a parcelas e recebíveis e R$ 5,34 milhões em juros. Hoje, a base conta com 249 empresas cadastradas e processa cerca de 15 mil mensagens diárias, com taxa média de recuperação de 20%. A solução evoluiu de um sistema de disparos de mensagens para uma infraestrutura completa de gestão de recebíveis, batizada de Fidexa Pay. Com um dashboard único, o lojista centraliza a carteira de múltiplas unidades, identifica débitos pendentes e usa a inteligência artificial para ajustar o tom da comunicação e a frequência das abordagens conforme o perfil do devedor.

    A nova solução foi desenhada inicialmente para clientes que operam dentro do sistema de ERP da TOTVS Linx, com a expansão da integração técnica para outros sistemas de gestão em andamento. Na prática, o Fidexa Pay faz a frente de pagamento e negociação dentro do WhatsApp. A inteligência artificial identifica o cliente, acessa os dados de débito e conduz a jornada até a quitação via Pix, inclusive em lembretes de parcelas futuras. Quando o foco é recuperação de crédito, a ferramenta também negocia de acordo com o perfil do cliente, automatizando a cobrança e tornando o processo mais rápido, digitalizado e personalizado.

    O modelo e o potencial de tração da Fidexa atraíram André Menezes, cofundador da foodtech global TiNDLE (Next Gen Foods), que levantou US$ 130 milhões em rodadas de investimento com participação da Temasek, incluindo uma Series A de US$ 100 milhões. Menezes conheceu o time durante uma palestra na Unicamp e passou a integrar a operação como sócio e quarto fundador. “O que me chamou atenção foi uma solução intuitiva para uma dor real do varejo, executada por um time com alta capacidade de entrega. A empresa atingiu o breakeven operacional com capital próprio, demonstrando uma disciplina financeira rara no ecossistema de startups e fintechs”, afirma Menezes.

    O movimento da Fidexa acontece em um ambiente de crédito digital cada vez mais maduro e seletivo. Segundo a pesquisa Fintechs de Crédito Digital 2026, da ABCD e da PwC, 62% das fintechs já utilizam inteligência artificial e 96% pretendem ampliar sua aplicação nos próximos dois anos, sinalizando que a automação deixou de ser tendência futura e passou a ser um requisito competitivo.

    A Fidexa Pay oferece acesso à tecnologia de cobrança inteligente a partir de custos acessíveis, com planos iniciando em R$ 300 mensais — valor que cabe no orçamento do pequeno lojista. A meta da startup é dobrar o número de clientes até o final de 2026, consolidando-se como uma ferramenta de recuperação de recebíveis para o varejo regional.

    “Nossa solução foi desenhada para que o lojista proteja seu caixa e mantenha um relacionamento saudável com o cliente, automatizando o que antes era um processo penoso e ineficiente. Muitos dos créditos que recuperamos eram considerados perdidos por PMEs, pois o custo de judicialização para recuperar o valor é superior à pendência financeira em si. A nossa plataforma costuma recuperar 20% deste montante já no primeiro mês de ação junto ao cliente e estas pessoas tendem a voltar a serem compradores ativos para o lojista após o pagamento da sua dívida”, declara Bruno Reis.  

    Segundo dados do Observatório Sebrae, o comércio varejista reúne mais de 5,2 milhões de estabelecimentos ativos no Brasil, demonstrando o peso das PMEs no setor e o potencial de expansão da companhia. No segmento de vestuário e calçados, o setor movimentou R$ 396 bilhões em 2025, de acordo com o IEMI, enquanto o crediário responde por 20% a 24% da receita das lojas, segundo a GMattos. Já a inadimplência em calçados chegou a 9,53%, o maior índice do varejo nacional conforme a CNDL/SPC Brasil.

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