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    Os limites e as oportunidades da inteligência artificial no varejo alimentar

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    Em artigo, o CEO da Aravita, Marco Perlman, fala sobre como o uso da Inteligência Artificial no varejo alimentar tem ajudado empresas a reconstruírem no cálculo o estoque real, cruzando o que vendeu, o que entrou e o que se perdeu, sem ninguém parar pra contar caixa na categoria de FLV

    Passei quinze anos tocando uma operação industrial antes de fundar uma empresa de IA. Vi de perto a tecnologia da vez chegar com a promessa de resolver tudo. Já foi o sistema integrado que ia acabar com o erro, já foi a nuvem, agora é a IA. Cada uma entregou um pedaço. Nenhuma entregou a mágica do folheto.

    Marco Perlman é CEO da Aravita

    E não é birra minha. Os maiores nomes de operações do mundo estão dizendo a mesma coisa. O uso da Inteligência Artificial no varejo alimentar não conserta uma operação inteira porque a sua operação não é um problema limpo. Ela é fragmentada: cada área decide uma coisa, com incentivo diferente. Os seus sistemas são remendados, um ERP aqui, uma planilha ali, um programa antigo que ninguém encosta. E o seu dado, na maior parte, é sujo. IA boa rodando em dado ruim só erra mais rápido e com mais convicção. Quem promete uma cadeia que se otimiza sozinha está vendendo a fantasia de pular o trabalho pesado, não tecnologia.

    Mas eu não montei uma empresa de IA por descrença. Montei porque existe um lugar estreito onde ela entrega de verdade, hoje. Não é a rede inteira. É o FLV.

    E ela entrega ali por um motivo concreto: no hortifrúti, o estoque que está no seu sistema está errado de fábrica. Não é desleixo da sua equipe, é estrutural. O caixa passa uma maçã Gala como Fuji, e o sistema inventa sobra de uma e falta da outra. O pedido já vendeu, mas ainda não entrou na conta. O produto filho sai sem dar baixa no pai. A validade corre e ninguém controla. No fim do dia, a banca conta uma história e o sistema conta outra. E é em cima desse número errado que o seu comprador decide quanto pedir.

    Junte a isso o fato de que, no FLV, a decisão é diária e cara dos dois lados. O que falta vira venda perdida, e o cliente que não achou o tomate maduro não reclama, vai embora. O que sobra vira quebra, vai pro lixo e leva a margem junto. É um dos raros casos em que acertar a conta, todo dia, vira dinheiro na mesma hora.

    É esse o trabalho da inteligência feita pra FLV. Ela reconstrói no cálculo o estoque real, cruzando o que vendeu, o que entrou e o que se perdeu, sem ninguém parar pra contar caixa. Prevê a demanda por produto, por loja, por dia, levando em conta clima, promoção e sazonalidade. E recomenda o pedido respeitando o que o fresco exige: validade curta, banca cheia, o tamanho da caixa do fornecedor. Ela calcula, o seu comprador decide. Começa conservadora e ganha espaço conforme acerta. Não é piloto automático, e tem que ser assim mesmo.

    E não é qualquer IA. A genérica, essa que hoje está em tudo, não foi feita pra fruta. Hortifrúti do varejo exige inteligência feita pro produto fresco, que entende como o perecível ganha e perde dinheiro. É esse o ponto que o folheto da mágica não conta: o valor está justamente no estreito.

    A boa notícia é que você não precisa de fé pra testar. Dá pra enxergar o tamanho dessa oportunidade, loja a loja, em reais, antes de mexer numa vírgula da operação. E tem uma vantagem silenciosa: quanto mais a inteligência roda na sua rede, melhor ela fica na sua rede. Quem começa antes abre uma dianteira que não se compra pronta depois.

    Então, quando o próximo fornecedor te prometer transformar seu supermercado com IA, faça a pergunta certa. Não é quando a Inteligência Artificial no varejo alimentar vai transformar tudo. É onde ela entrega primeiro. Nesse segmento, a resposta tem nome: hortifrúti.

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