Em artigo, o CEO da Tuna Pagamentos, Alex Tabor, reflete sobre os impactos de Apple Pay, Google Pay e outras wallets no e-commerce. Segundo ele, redução de atrito é um dos principais benefícios
A discussão sobre meios de pagamento no e-commerce não se trata mais apenas em oferecer cartão, boleto ou Pix. O mercado entrou em uma nova fase, em que a experiência de pagamento se torna parte decisiva da conversão. Assim, as wallets (carteiras digitais), como Apple Pay, Google Pay, e Nupay, ganham espaço porque reduzem atrito, aceleram a jornada de compra e criam novas possibilidades de relacionamento entre consumidor, varejista e instituição financeira.

Na prática, uma wallet não é apenas mais um botão no checkout. Ela representa um ambiente de pagamento seguro, usando biometria para confirmar a identidade do comprador. Ao incluir um meio de pagamento (cartão de crédito, débito, ou conta bancária com Pix), o pagador precisa entrar no app do banco e autorizar a inclusão do meio de pagamento na carteira. Uma vez adicionado o meio de pagamento a carteira, ele pode ser usado somente usando a biometria do seu dispositivo. A autenticação é simplificada e, em alguns casos, oferece benefícios adicionais para o usuário. Isso muda bastante a lógica da compra online. Em vez de preencher dados, revisar informações e passar por etapas mais longas, o cliente conclui a transação com menos esforço e mais segurança. E, no e-commerce, reduzir fricção impacta diretamente na melhoria de conversão, e elimina o risco de uma loja receber um pagamento de um fraudador usando um cartão de crédito roubado.
Esse avanço ajuda a explicar por que o tema passou a chamar mais atenção de operações digitais. determinadas wallets já disputam espaço com meios tradicionais de pagamento dentro da mesma base de clientes.
Esse é um detalhe importante. O consumidor não adota uma nova forma de pagamento apenas porque ela existe. A adoção costuma acontecer quando há uma proposta de valor clara. Facilidade é parte dessa equação. O uso também aumenta quando a wallet entrega uma vantagem perceptível, seja na experiência, seja na gestão financeira da compra. Quando isso acontece, a implementação do novo método no checkout deixa de ser só uma etapa operacional e passa a funcionar como uma extensão da estratégia comercial.
Para o e-commerce, o primeiro benefício é menos fricção na finalização da compra. Quanto mais simples for o pagamento, menores tendem a ser as chances de abandono de carrinho. Isso vale especialmente para compras por celular, onde qualquer etapa extra pesa mais. Uma wallet bem implementada encurta esse caminho, reduz digitação e melhora a fluidez.
O segundo benefício está na segurança percebida pelo consumidor. Em vez de inserir os dados do cartão diretamente em cada compra, o usuário recorre a um ambiente com o qual já tem familiaridade. Esse fator pode parecer subjetivo, mas influencia bastante o comportamento de compra. Em muitos casos, a confiança no meio de pagamento ajuda a destravar a confiança no próprio lojista, sobretudo em operações de primeira compra.
Há também uma vantagem estratégica que costuma ser subestimada: wallets no e-commerce podem funcionar como instrumento de aumento de aprovação e ampliação de acesso ao pagamento. Dependendo do arranjo, elas permitem combinar saldo em conta, crédito, limite adicional ou outras camadas de conveniência financeira. Para o consumidor, isso pode facilitar uma compra que talvez não acontecesse por um meio tradicional isolado. Para o varejo, isso significa menos perda de venda por barreira de pagamento.
Porém, nem toda wallet gera resultado da mesma forma. O mercado já viu casos em que a adoção cresceu com força no início, sustentada por subsídios, cashback ou incentivos promocionais, mas perdeu fôlego assim que esses estímulos foram reduzidos. Isso mostra que a implementação, sozinha, não garante relevância. O uso recorrente depende de uma equação mais sólida, que combine conveniência real, benefício claro e aderência ao perfil da base de clientes.
Por isso, a decisão de implementar wallets no e-commerce não deve ser tratada como tendência ou novidade de checkout. Ela precisa ser analisada como parte da estratégia de conversão da loja. A pergunta não é quais carteiras oferecer, mas quais delas fazem sentido para o público, para a recorrência de compra e para o contexto da operação.

