Inovação digital, omnichannel avançado e sustentabilidade devem guiar as estratégias das marcas de varejo em 2026 e nos próximos anos
O varejo segue em transformação acelerada e, em 2026, deve operar em um cenário marcado pelo avanço tecnológico, pelas mudanças no comportamento do consumidor e por um ambiente econômico mais desafiador. A integração entre canais físicos e digitais, o uso estratégico de dados, a adoção de práticas sustentáveis e o foco na experiência do cliente tendem a assumir papel ainda mais central na estratégia das marcas.
Ao mesmo tempo, indicadores de mercado mostram que o setor tem ganhado tração. Dados do Índice Antecedente de Vendas do Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), apontam uma expectativa de crescimento nominal das vendas no curto prazo, com projeções de alta de 5,0% em novembro, 3,2% em dezembro e 2,3% em janeiro de 2026, na comparação anual, sinalizando que, mesmo em um contexto mais complexo, o varejo segue identificando e capturando novas oportunidades.
Nesse contexto, inovação digital, omnichannel avançado e sustentabilidade se consolidam como pontos estratégicos para manter a relevância e sustentar o crescimento a longo prazo. Mais do que acompanhar tendências, o varejo passa a ser desafiado a estruturar propostas de valor mais integradas, personalizadas e alinhadas às novas expectativas dos consumidores. A seguir, especialistas de grandes empresas, como Pampili, Drivin Brasil, Siprocal, D4Sign by Zucchetti e Olist compartilham suas visões sobre os movimentos que devem moldar do varejo em 2026:
Omnichannel pensado para a experiência do cliente: no segmento de moda, especialmente no segmento infantil, a integração entre canais físicos e digitais tende a evoluir para jornadas mais fluidas, intuitivas e consistentes, acompanhando um consumidor cada vez mais exigente. Em 2026, devem se destacar as marcas capazes de simplificar a jornada de compra e criar experiências contínuas entre loja física, e-commerce e canais digitais, fortalecendo relacionamento e fidelização. “O omnichannel deixa de ser apenas uma estratégia de presença e passa a ser uma ferramenta essencial para criar experiências práticas e relevantes. No caso da moda infantil, por exemplo, falamos de pais e mães millennials, entre 28 e 45 anos, que vivem rotinas intensas e esperam jornadas simples, integradas e confiáveis em todos os pontos de contato”, afirma Diego Colli, Director of Business Development da Pampili, marca referência em lifestyle infantil feminino.
Investimento em conteúdos personalizados: Ao se comunicar com públicos específicos, o desafio das marcas vai além da conversão: é preciso construir relacionamento e fidelizar novos clientes. Para isso, é essencial que cada campanha seja personalizada de acordo com os interesses, hábitos e comportamentos de cada audiência. “Nesse contexto, considero fundamental contar com plataformas que utilizem dados comportamentais e preferências de forma inteligente e segura, sempre em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), possibilitando a criação de campanhas mais direcionadas, relevantes e com maior potencial de impacto”, afirma Paulo Fernandes, Global VP Ad Sales e General Manager da Siprocal, empresa de tecnologia para publicidade digital.
Implementação de assinaturas digitais: Em um cenário em que a jornada de compra acontece de forma cada vez mais distribuída entre canais físicos e digitais, garantir fluidez, segurança e consistência tornou-se um diferencial competitivo. Diante disso, a assinatura digital passa a exercer um papel estratégico para o relacionamento entre ambas as partes envolvidas. “A assinatura eletrônica deixa de ser apenas uma ferramenta operacional e passa a integrar a estratégia omnichannel, oferecendo segurança jurídica, agilidade e inteligência para entender melhor o cliente”, afirma Rafael Figueiredo, CEO da D4Sign by Zucchetti, plataforma brasileira de assinatura eletrônica.
Tecnologias para otimização logística: A otimização logística no varejo passa a ser fortemente impulsionada pela adoção integrada de tecnologias avançadas, em um cenário que marcado por alta volatilidade da demanda, janelas operacionais mais curtas e pressão constante por eficiência como deve ser o varejo em 2026. Segundo Alvaro Loyola, Country Manager da Drivin Brasil, soluções de inteligência artificial generativa e preditiva ganham protagonismo ao assumir decisões críticas de roteirização, alocação de frota, compras e abastecimento, atuando como um verdadeiro “copiloto” operacional capaz de antecipar gargalos e reduzir falhas antes que impactem o consumidor final. Nesse contexto, plataformas de gestão de transporte (TMS) evoluem para hubs estratégicos de dados, integrando informações de estoque, demanda, distribuição, atendimento e performance e oferecendo uma visão unificada e em tempo real de toda a cadeia. “Em um ano marcado por alta oscilação de demanda e janelas operacionais cada vez mais curtas, processos manuais deixam de ser uma opção. A tecnologia precisa estar integrada a cada etapa da cadeia, porque o que antes era diferencial agora se tornou obrigação para quem quer disputar mercado”, afirma Alvaro.
O executivo destaca ainda tecnologias de IoT avançado para ampliar o rastreamento de cargas, permitindo acompanhamento minuto a minuto, redução de perdas e mais segurança; a automação de ponta a ponta no last mile, com micro-fulfillment centers, lockers inteligentes e roteirização dinâmica, e também se consolida como fator-chave de competitividade, assim como a logística verde 2.0, que passa a combinar sustentabilidade e performance por meio da rastreabilidade de emissões e do avanço de frotas elétricas e híbridas.
Inteligência artificial como motor de eficiência e crescimento: Para além da automação, a inteligência artificial deve assumir papel central na estratégia do varejo em 2026, conectando eficiência operacional à geração de novas receitas e a uma relação mais inteligente com sellers e consumidores. “Neste ano, a inteligência artificial será o principal vetor de transformação e evolução do varejo, atuando simultaneamente na eficiência operacional e no dinamismo na criação de novas fontes de receita e na relação com o seller e com o consumidor. No backoffice, a IA impulsionará automação de processos, atendimento rápido, simples e com conteúdo de qualidade, previsões de demanda mais precisas, gestão inteligente de estoque, compras e logística, reduzindo custos, desperdícios e simplificando a operação. Na ponta, abre-se uma enorme oportunidade de crescimento por meio de personalização em escala, recomendações preditivas, precificação dinâmica, cross-sell e up-sell automatizados, transformando dados em experiências relevantes e aumentando conversão, ticket médio e fidelização. A IA deixa de ser apenas suporte e passa a ser protagonista na geração de valor e resultado”, afirma Fábio Gallo, COO da Olist, ecossistema de soluções para PMEs.

