Especialistas apontam como varejistas e marcas podem evoluir estratégias para acompanhar o andamento e as tendências do e-commerce esse ano
O e-commerce brasileiro alcançou um faturamento de R$100,5 bilhões no primeiro semestre de 2025, segundo a ABComm, mas, apesar dos números expressivos, o contexto nunca foi tão complexo: deixou de ser sobre vender a qualquer custo e passou a exigir uma leitura mais refinada do consumidor, que está mais criterioso. Enquanto isso, as margens se estreitam e os algoritmos demandam um nível de sofisticação técnica que distingue operações amadoras de negócios realmente escaláveis. Especialistas ressaltam que as tendências do e-commerce para este ano indicam uma maturidade quase obrigatória do setor, em que o crescimento estará cada vez menos atrelado a volume e cada vez mais à eficiência operacional e ao uso estratégico de dados.
Para Salomão Araújo, VP Comercial da Rakuten Advertising, rede líder global de afiliados e marketing de performance, o cenário desafiador exige que as empresas revisem estratégias e adotem abordagens integradas para se destacar. “O consumidor busca uma jornada contínua, sem rupturas entre loja física, e-commerce, app, redes sociais ou pós-venda. As marcas precisam conectar todos os pontos de contato com inteligência e performance. Nesse contexto, o marketing de afiliados se consolida como ferramenta estratégica, pois permite que publishers atuem em múltiplos canais, influenciando desde a descoberta até a recompra, e fornecendo dados valiosos sobre o comportamento real do usuário”, afirma.
O executivo destaca que a omnicanalidade será o pilar central do varejo em 2026. “Quando os canais conversam entre si, a experiência do consumidor flui melhor, a conversão aumenta e a relação com o cliente se fortalece. A tendência é clara: quem integrar performance, conteúdo e experiência omnicanal estará preparado para liderar o próximo ciclo de crescimento”, conclui.
Na mesma linha, a evolução tecnológica também exigirá um novo olhar para o relacionamento com o consumidor. Para Michelle Oliveira, COO e cofundadora da Digital Manager Guru, o varejo digital será marcado pela combinação entre tecnologia, inteligência artificial e uma abordagem mais humana nas relações de consumo. Segundo a executiva, não se trata apenas de responder com rapidez, mas de compreender contexto, comportamento e intenção em tempo real.
“Foi vivenciando tantos atendimentos desumanizados quanto experiências genuínas que desenvolvi a convicção de que o futuro passa por ouvir mais do que responder, ler as entrelinhas, interpretar sentimento, agir antes do problema e tratar cada cliente como pessoa, não como número. No dia a dia, vejo que essa combinação funciona: processos eficientes, IA aplicada com propósito e empatia real criam operações mais sólidas, clientes mais satisfeitos e relações de longo prazo”, explica a executiva.
Para ela, 2026 será um ano em que a experiência do cliente será uma das tendências do e-commerce mais importantes para marcas e companhias. “Essa experiência passa, antes de tudo, pelo trato humano mediado por tecnologia. Portanto, o futuro não pertence a quem atende mais rápido, mas a quem entende melhor”, finaliza Michelle.

