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    Por que pequenas farmácias estão fechando?

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    Pressão sobre pequenas farmácias e farmácias independentes expõe como gestão, escala e capacitação passaram a definir quem sobrevive no varejo farmacêutico

    A conta não está fechando para boa parte das farmácias independentes no Brasil. Nos últimos meses, o setor passou a registrar mais fechamentos do que aberturas, com milhares de pontos de venda deixando de operar e avanço nos pedidos de falência e recuperação judicial.

    Nos últimos 12 meses até fevereiro de 2026, 9.126 farmácias encerraram as atividades no país, segundo levantamento da Close-Up International. Desse total, 91% eram pequenas farmácias independentes ou pequenas redes. No mesmo período, foram abertas 8.280 lojas, o que gerou um saldo negativo de 846 unidades.

    A pressão também aparece nos indicadores de insolvência. Entre janeiro e março de 2026, o número de falências e pedidos de recuperação judicial no varejo farmacêutico cresceu 78% em relação ao mesmo período do ano anterior, passando de nove para 16 ocorrências no trimestre.

    O impacto recai principalmente sobre pequenos e médios negócios, que operam com menos estrutura, menor poder de negociação e forte dependência da gestão do próprio dono.

    Enquanto uma farmácia independente fatura, em média, cerca de R$ 60 mil por mês, operações integradas a redes conseguem mais do que triplicar esse volume. No Grupo AMR, detentor das marcas Drogaria Americana, Poupe Já e Farma Justa, o faturamento médio por loja gira em torno de R$ 240 mil mensais.

    A diferença começa na gestão.

    Gestão: formar o dono como empresário

    Segundo Alessandra Souza, gerente de Educação Corporativa do Grupo AMR, um dos principais pilares da rede é desenvolver o franqueado para atuar como gestor do negócio, e não apenas como operador da loja.

    “O investimento em educação corporativa tem como objetivo formar o franqueado como empresário e preparar a equipe para executar com consistência. Quanto mais capacitado é esse gestor, mais fluida, padronizada e eficiente se torna a operação”, afirma.

    Esse direcionamento responde a um desafio comum no varejo farmacêutico: a dificuldade das farmácias pequenas e independentes em estruturar treinamentos contínuos, especialmente diante da rotina intensa da operação e da alta rotatividade de equipes.

    Para enfrentar esse cenário, a rede estruturou uma plataforma de capacitação que contempla tanto a formação inicial quanto a reciclagem dos colaboradores. Os conteúdos abrangem gestão de pessoas, marketing, operação, precificação e atualização sobre produtos, muitas vezes com participação de laboratórios parceiros e profissionais especialistas nos temas abordados.

    A proposta é dar mais previsibilidade à operação, com execução mais padronizada e menor dependência de decisões intuitivas no dia a dia da loja. O resultado é uma gestão mais estruturada, com maior controle, desempenho e capacidade de crescimento.

    Atendimento: o papel do farmacêutico no novo varejo

    Outro eixo da capacitação está ligado à evolução do papel da farmácia e à atuação do farmacêutico como agente de geração de valor para o negócio.

    Por meio do CapacitaFarma, programa já consolidado dentro da rede, o foco está em desenvolver o atendimento e ampliar o uso das competências técnicas desses profissionais no dia a dia.

    “O cliente não busca só o produto. Quando o farmacêutico orienta sobre o uso do medicamento, explica interações e acompanha o paciente, ele gera confiança, aumenta a fidelização e fortalece o vínculo com a farmácia”, explica Alessandra.

    O programa combina formação prática e teórica. De um lado, os farmacêuticos participam de treinamentos técnicos e oficinas, incluindo atividades em laboratório voltadas a serviços farmacêuticos e atendimento clínico. De outro, os gestores são preparados para estruturar esses serviços na rotina da loja, organizar fluxo, definir metas e capturar resultado a partir dessas iniciativas.

    Esse avanço está ligado à ampliação do escopo das farmácias, que passam a incorporar serviços como orientação farmacêutica, aferição de indicadores básicos de saúde e acompanhamento do paciente, agregando valor ao atendimento e diferenciando a loja frente à concorrência.

    Segundo Alessandra, esse é um potencial ainda pouco explorado no setor.

    “O farmacêutico tem uma gama de competências muito maior do que aquilo que muitas vezes é utilizado no dia a dia. O nosso papel é transformar esse conhecimento em serviço, em experiência para o cliente e, consequentemente, em resultado para a loja”, afirma.

    O cenário indica um varejo mais exigente em termos de gestão e estrutura operacional. Para farmácias pequenas e independentes, acessar escala e suporte deixou de ser diferencial e passou a ser condição de permanência no mercado. Mais do que vender, a sustentabilidade do negócio depende de como a operação é estruturada, dos serviços oferecidos e da capacidade de evolução ao longo do tempo.

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