Triplique sua atenção com as ameaças digitais

Claudio Milan [email protected]

Recentemente o maior varejo de autopeças de São Paulo foi obrigado a fechar temporariamente suas lojas em razão de um ataque cibernético promovido por hackers. O incidente envolvendo o MercadoCar foi apenas mais um episódio na longa série de delitos online que vêm trazendo graves consequências e prejuízos não apenas para empresas, mas também para governos e a sociedade civil como um todo – a maioria deve ainda se lembrar do estrago causado ano passado pela invasão ao banco de dados do SUS. Como absolutamente tudo na vida, a tecnologia é uma moeda de duas faces: ao mesmo tempo em que proporciona avanços extraordinários em nossas rotinas, também é capaz de ser catalisadora de problemas que no passado jamais povoariam nosso imaginário.

E quero aqui começar dando um exemplo pessoal e muito prático do que estou dizendo: este humilde cidadão que vos tecla decidiu abandonar o hábito saudável de caminhadas ao final das tardes em razão do espantoso crescimento, no bairro, das ocorrências de sequestros-relâmpago motivados pela criação do PIX e dos aplicativos bancários nos smartphones. A tecnologia tem, simultaneamente, o condão de nos libertar e de nos aprisionar. Em 2021, o Brasil ocupou a quinta posição no ranking de ataques cibernéticos em todo o planeta – é verdade, porém, que os dados variam de acordo com a empresa responsável pelos levantamentos e o tipo de ataque em questão, mas todas as informações disponíveis apontam o país como um dos preferidos pelos hackers.

O relatório SonicWall de Ameaças Cibernéticas divulgado em fevereiro revelou que em todo o mundo foram 623 milhões de ataques ano passado. O número inclui ransomwares, malwares na internet das coisas, ameaças criptografadas e cryptojacking – bom, se você ficou “boiando” com esses termos, o Google tá aí pra resolver, mas nem precisa ir até lá pra saber que isso tudo é coisa muito ruim…

Na edição 287 do Novo Varejo, publicada em 2016, mostramos em uma reportagem a incrível aventura vivida pelo jornalista Andy Greenberg – da revista norte-americana Wired, especializada em ciência e tecnologia. O carro que ele dirigia a 110 km/h subitamente sofreu um corte na transmissão e parou em local de risco na estrada. Assustado, o motorista se deparou com a imagem de dois pesquisadores na tela da central multimídia que, sentados em um sofá a 16 quilômetros da cena, precisaram apenas de um laptop e uma rede de internet sem fio para invadir o utilitário e assumir o comando de diversos sistemas veiculares. Essa é uma história real!!!!! E você pode conhecê-la, clicando aqui. Resumo da ópera: as ameaças digitais representam um problema que só vai crescer. Daqui pra frente, precisam receber atenção igualmente crescente dos gestores do varejo, setor que hoje tem a obrigação de ser multicanal. Qualquer descuido pode – e vai – doer no bolso. São as alegrias e atribulações trazidas por este novo mundo em que ainda estamos aprendendo a viver.