O uso de big data na indústria de autopeças

Por João Barros*

Talvez poucos jargões façam mais sucesso no ambiente de negócios contemporâneo quanto aquele que afirma que os dados são o novo petróleo da economia. Para além da euforia do mercado, o fato é que os investimentos nesta área tem, realmente, crescido de modo expressivo ao longo dos últimos anos. Tal crescimento, por sua vez, traz impactos, desafios e oportunidades para diferentes segmentos, incluindo a indústria de autopeças.

Neste sentido, tendo em vista a geração de diferenciais competitivos – incluindo desde uma maior eficiência e inteligência nas operações até um melhor entendimento do consumidor – surge a necessidade de que as companhias do mercado de reposição apliquem, de modo mais realista, soluções de analytics e big data em seus processos internos.

Vale salientar que, de modo geral, este é um movimento que já vem ocorrendo no mercado automotivo. Muito mais que uma tendência, estamos falando de uma realidade para a qual empresas globais mais conectadas com o cenário de inovação já aderiram ou estão testando projetos visando alcançar estes benefícios de otimização em seus negócios.

Para auxiliar as empresas brasileiras dentro deste contexto de inserção digital, as startups assumem um papel relevante, pois trazem o que há de ponta para ser plugado nas fábricas e varejo de autopeças, permitindo que as grandes marcas deste mercado conduzam projetos, renovem processos e criem novos produtos de modo mais ágil, com menores custos e, acima de tudo, embasados em dados que facilitam o processo de tomada de decisão de gestores.

Dentro deste contexto, no Brasil, temos uma série de startups atuando com big data e analytics e que oferecem, por exemplo, projeções de custo mais assertiva que podem ser combinadas com o sistema interno de empresas; plataformas que estão transformando as experiências de compra na indústria automotiva e de reposição; soluções para a gestão de fornecedores; além de ferramentas que combinam o poder dos dados com inteligência artificial, para, como vimos, um movimento mais integrado no processo de tomada de decisões estratégicas.

Apostando no crescimento destas soluções, a Liga Ventures fez um estudo apresentando 320 startups ativas na indústria automotiva, das quais, 23 atuam diretamente com data analytics, modelagem de dados e business intelligence; muitas delas, inclusive, contam com cases relevantes de parceria junto a grandes companhias do mercado de autopeças.

Se você vem acompanhando as discussões sobre startups e uso de dados no mercado automotivo, e espera que essas interações também ocorram em seu negócio, é importante definir estratégias para que se construa uma relação profunda e com dedicação equivalente de ambas as partes, visando a apresentação de resultados efetivos. Muito mais do que embarcar em uma “onda”, o propósito deve ser a construção de aplicações reais, capazes de gerar um movimento genuíno de transformação cultural, geração de receita e otimização de custos.

*Editor de inteligência e estudos de mercado da Liga Ventures