Marketplaces democratizam acesso de varejistas ao comércio eletrônico

Lucas Torres [email protected]

Em meio às restrições de mobilidade e acesso às lojas físicas, que caracterizaram as políticas de combate à pandemia de covid, empresário do varejo viram-se obrigados a repensar suas estratégias para manterem a saúde financeira de seus negócios. Executivos de lojas de autopeças optaram por conciliar o serviço de televendas característico do setor com – em alguns casos – um e-commerce próprio, esses varejistas afirmaram terem conseguido manter a queda de faturamento relativamente controlada, girando em torno da casa dos 20% durante os momentos mais agudos da pandemia. A realidade da diversificação de canais de venda não acompanha, no entanto, a totalidade dos negócios do varejo. Reflexo disso é o fato de mais de 120 mil empresas do setor como um todo terem fechado as portas ao longo dos últimos 13 meses. Para aqueles empresários que dependiam estritamente das vendas nas lojas físicas e foram pegos desprevenidos pelo novo coronavírus, convivendo, ao mesmo tempo, com uma urgência para ingresso imediato no mundo do e-commerce e a carência de capital de investimento para fazê-lo, o marketplace se coloca como uma alternativa viável.

O que é um Marketplace

Seguindo uma dinâmica semelhante à dos shoppings-centers, o marketplace é ambiente virtual dentro do qual diferentes lojas expõem e vendem seus produtos. Ali, o consumidor navega pela pelas abas e filtros como se fossem corredores e prateleiras até encontrar aquilo que quer. “Para o consumidor, é uma experiência conveniente, como ir ao shopping-center e ter acesso a vários produtos no mesmo lugar, por exemplo”, analisa Fernando Pantaleão, VP de Vendas e Soluções para o Comércio da Visa do Brasil. Além da questão da conveniência, o marketplace conta ainda com a capacidade de gerar confiança de consumo. Geralmente comandado por grandes grupos e empresas que são familiares à memória afetiva da população, esses ambientes acabam transmitindo automaticamente um status de credibilidade aos produtos dos lojistas ali presentes. Isso acontece porque, quando um consumidor vai comprar algo, por exemplo, no marketplace do Magazine Luiza, ele associa aquele produto a este e não necessariamente ao lojista ali alocado, a quem pode desconhecer. “Confiança é um dos principais fatores que os consumidores levam em conta antes de comprar pela internet e marketplaces operados por grandes companhias desfrutam de níveis altos deste elemento”, afirmou o Sebrae na cartilha denominada ‘Por que vender através de Marketplaces?”. Essa noção da confiabilidade transmitida pelas plataformas se reflete também nos números. De acordo com a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABCOMM), 95% das vendas do e-commerce brasileiro são realizadas pela via desses ‘shoppings digitais’. Em outro estudo, a Webshoppers apontou que os marketplaces concentraram 78% do faturamento do nosso comércio digital em 2020.

Construir e gerenciar um e-commerce próprio que seja funcional, bem como capaz de entregar uma boa experiência de usabilidade para o cliente, demanda investimentos por parte do varejista. Embora o surgimento de plataformas pré-moldadas – como as construídas pela TOTVS, a JET e a Wix, por exemplo – tenham barateado substancialmente os custos iniciais para inaugurar uma loja digital, a aquisição quase imperativa de serviços de suporte para manter o espaço em bom funcionamento e toda a estratégia de marketing digital voltada a gerar tráfego para a loja faz da criação de um e-commerce um investimento sensível para pequenos e até médios varejos. De acordo com o publicitário e cofundador da Cuesta Ecomm-Negócios Digitais, Felipe Parejo, é preciso estar atento ao fato de que os resultados de um e-commerce próprio não são garantidos pelo simples fato dele ‘estar no ar’ e dependem de uma série de outros fatores. “Hoje, o custo para fazer um e-commerce em uma dessas plataformas pré-moldadas gira em torno de R$ 5.000,00 – custo que salta para a casa dos R$ 20.000,00 em situações em que o cliente queira ou precise fazer uma loja digital a seu gosto, fora da estrutura engessada daquela plataforma”, mensura Parejo, antes de complementar: “Além disso, por mais que as plataformas sejam intuitivas e não necessitem de um grande conhecimento técnico para sua operação, depois de prontas (acrescentar e remover produtos, por exemplo), geralmente o varejo que não conta com uma equipe especializada em marketing digital e geração de tráfego terá de contratar um serviço de suporte (…). O custo desse suporte varia muito de agência para agência, mas um contrato mensal tem custos mínimos a partir dos R$ 3.000,00 com bônus atrelados a resultado”. Em rota contrária, a grande maioria dos marketplaces não exige investimento inicial e/ou fixo algum por parte dos lojistas e ancora a base de seus lucros no desempenho dos varejos presentes em seu ecossistema – taxando as vendas e não a presença em si. Além de permitir a divulgação do estoque de maneira gratuita na internet, os shoppings digitais reduzem parte da necessidade de investimento em geração de acessos por parte da loja cadastrada. Por depender de uma relação ‘ganha-ganha’ para lucrar, os marketplaces fazem constantes ações e investimentos para a atração de tráfego para a plataforma. Esse investimento permanente realizado pelas plataformas, somado à suas estruturas de shopping, são, segundo o Sebrae, responsáveis por gerar dois benefícios fundamentais para o sucesso de varejistas no ambiente digital: a visibilidade e a escalabilidade. “O número de acessos a um marketplace é, normalmente, muito maior do que o de um e-commerce próprio (…). Esta dinâmica permite que o lojista alcance rapidamente um grande número de clientes e aumente o volume de vendas sem que sejam necessários grandes investimentos”, destaca o Sebrae. Na continuidade da esteira dos benefícios de democratização do digital para varejistas dos mais diferentes portes, esses ambientes têm também por característica a facilitação da manutenção e a simplificação dos meios de pagamento. Quanto à manutenção, os marketplaces – de novo, pensando no volume – buscam ser otimizados para que as operações sejam feitas da forma mais simples possível. Do registro na plataforma à análise de performance da loja – passando por atividades importantes como cadastro de produto, controle de estoque, compra e venda – todos os processos são desenhados de maneira intuitiva. Já no tocante aos meios de pagamento, os marketplaces contam com operadores responsáveis por gerenciar toda a estrutura de pagamento de maneira segura e automatizada