Itaú anuncia e-commerce de autopeças para concessionárias

Lucas Torres [email protected]

O 9º Fórum LIDE de Varejo e Marketing teve como principal destaque o cenário de expansão da lógica de ecossistemas de negócios no país (veja na página 32).

Dentro deste conceito, empresas que outrora eram caracterizadas por um único núcleo de produtos e serviços passam a expandir seus portfólios com a criação de braços em novos segmentos. A tendência não tem, no entanto, sido adotada apenas por varejistas que – como o Magalu – passaram, recentemente, a oferecer serviços financeiros e até mesmo de entretenimento. O caminho em direção ao modelo de ecossistemas parece cada vez mais ser uma via de mão dupla. Instituições tradicionalmente conhecidas pelos serviços financeiros têm intensificado seus esforços de aproximação com o setor de comércio e serviços – a partir do qual buscam conseguir uma relação mais íntima e direta com consumidores de diversos perfis.

Um dos bancos mais ativos neste movimento tem sido o Itaú que, depois de se popularizar com iniciativas como as bicicletas compartilhadas na cidade de São Paulo (SP), está realizando movimentos sequenciais para se consolidar como um player da mobilidade urbana.

A última ação da instituição neste sentido foi o anúncio de sua entrada no mercado de autopeças a partir da criação de um e-commerce voltado para concessionárias. Como configuração, o projeto – já em fase de implementação – prevê a formação de parcerias com concessionárias de veículos de todo o país de modo a permiti-las vender qualquer item disponível nos seus estoques em uma plataforma digital que será desenvolvida especialmente para cada revendedora.

Além disso, ao aderir à parceria, as concessionárias irão disponibilizar de forma automática seus estoques de peças nos principais marketplaces do Brasil.

Assim, o Itaú espera que o projeto permita que as concessionárias brasileiras possam ir além da venda de veículos – se valendo da usabilidade intuitiva e de um sistema de gerenciamento de dados que realiza toda a gestão do inventário, oferta, venda e faturamento de peças para superar os primeiros gargalos de uma possível falta de expertise e experiência. Em entrevista exclusiva ao Novo Varejo, o diretor do Itaú Unibanco, Rodnei Bernardino de Souza, contou detalhes do projeto e discutiu o interesse da instituição financeira no mercado de mobilidade urbana em geral.

Novo Varejo – Como funcionará o marketplace de autopeças do Itaú? Quem é o público-alvo deste novo braço de negócios da empresa?

Rodnei Bernardino – Com esta parceria todas as concessionárias brasileiras poderão ir além da venda de veículos e disponibilizar de forma automática seus estoques de peças nos principais marketplaces do Brasil, bem como também criar seus próprios e-commerces de peças automotivas. A plataforma possui usabilidade intuitiva e um sistema de gerenciamento de dados que realiza toda a gestão do inventário, oferta, venda e faturamento de peças. Além disso, o Itaú integrará este sistema de marketplace de peças automotivas no iupp e no iCarros, de modo que todos os produtos também estejam disponíveis para compra tanto para clientes do Itaú quanto para não clientes interessados. Ao se tornarem canais de venda nesta parceria, o iupp e o iCarros aumentarão o alcance de distribuição das peças para os concessionários e ampliarão o leque de produtos disponíveis em suas prateleiras de e-commerce.

NV – O fato do mercado de seminovos e usados ter aquecido nos últimos meses, muito por conta dos problemas enfrentados pelas montadoras na aquisição de insumos para produção dos veículos e pela natural queda da demanda, influenciou na iniciativa? Ou foi um caminho natural do Itaú que já havia se inserido no segmento com o iCarros?

RB – Este foi um processo natural para o Itaú, dado que esta iniciativa vem ampliar de forma importante a proposta de valor do iCarros, que hoje está fortemente inserido na jornada de compra e venda de veículos. Entendemos que o segmento de autopeças possui alta relevância e um grande potencial de crescimento. Além disso, o impulsionamento de soluções de e-commerce se mostra como uma boa alternativa para atender às necessidades dos clientes no momento (tanto o comprador como o vendedor). Nosso primeiro passo é ampliar a presença nesse mercado, que demonstra diversas oportunidades de negócios. A parceria com a novavarejo.com, que já possui uma expertise para o formato de negócio em que atuaremos, é o marco da expansão do banco no segmento.

NV – Vocês destacam a iniciativa como um ‘primeiro movimento do banco voltado para o segmento de autopeças’. Neste contexto, o Itaú contempla ampliar a participação no nicho? RB – O mercado de autopeças é, sem dúvidas, repleto de oportunidades que ainda podem ser exploradas. No momento, contudo, estamos focados nessa iniciativa que marca nossa estreia no setor, de modo que possamos oferecer o melhor serviço para esse público.

NV – Como se dará a articulação do Itaú com os outros players do Aftermarket Automotivo para a criação do marketplace? Vocês chegaram a montar uma rede junto aos fabricantes, distribuidores e até mesmo os varejistas de autopeças?

RB – Nos integramos à plataforma Mob1.One, da novovarejo.com, que é composta por produtos de tecnologia e de serviços dedicados exclusivamente ao varejo eletrônico de peças automotivas e já conta com mais de 50 mil autopeças catalogadas das principais marcas do setor. Além disso, as concessionárias interessadas em integrar o marketplace terão suporte total para oferecer e anunciar os seus produtos online.

NV – O Itaú tem um histórico longo de envolvimento na pauta da mobilidade. Exemplo disso é a iniciativa do banco com as bicicletas compartilhadas na cidade de São Paulo. O que faz da pauta atrativa para vocês?

RB – Consideramos a mobilidade um dos mais importantes temas para a sociedade e para a economia e que vem atravessando fortes transformações guiadas pelo comportamento dos consumidores e viabilizadas pela tecnologia. O Itaú, como empresa que atua com os conceitos de ecossistema e inovação colaborativa, quer continuar na vanguarda e seguir liderando a transformação dentro do cenário brasileiro de mobilidade. Por meio de soluções como as bikes compartilhadas, do recente anúncio do VEC (Veículos Elétricos Compartilhados) e do lançamento da plataforma de conteúdo sobre mobilidade WTW Play em parceria com a Welcome Tomorrow – que aconteceu nesta semana –, nosso objetivo é protagonizar e ampliar as discussões sobre o tema, engajar mais as pessoas para a causa, compartilhar boas práticas e, assim, ser parte ativa neste movimento que está transformando a forma como as pessoas se locomovem no Brasil e no mundo.

NV – Existe alguma possibilidade do marketplace passar a disponibilizar peças para a compra direta por parte de oficinas mecânicas e pessoas físicas ou a ideia do Itaú é se manter como um intermediário voltado para o nicho das concessionárias?

RB – No momento, as vendas de autopeças serão feitas exclusivamente pelas concessionárias. Clientes e não clientes do banco têm a opção de compra por meio da integração dos anúncios no iCarros, iupp e outros dos principais marketplaces do Brasil. NV – Quando a plataforma já estará disponível para os clientes? Existe alguma previsão? RB – As concessionárias já podem procurar pelo time comercial do Itaú para desenvolver suas soluções e disponibilizar os produtos para seus clientes, contando em breve com os canais adicionais de venda do iupp e iCarros.