Indústria automotiva terá em 2019 terceiro ano consecutivo de crescimento

De acordo com Dan Ioschpe, presidente do Sindipeças, reposição foi o único segmento que só cresceu faturamento nos últimos cinco anos

Por Claudio Milan ([email protected])

Apesar da forte recessão enfrentada pela economia brasileira, com um total de quase 8% de queda no Produto Interno Bruto em 2015 e 2016, o setor automotivo mostrou certa resiliência no período e hoje mostra números satisfatórios de retomada. Os dados favoráveis valem tanto para as montadoras quanto para as indústrias de autopeças – e neste caso em especial, o desempenho do mercado de reposição se destaca. Segundo informação do presidente do Sindipeças, Dan Ioschpe, durante sua apresentação do 6º Fórum IQA de Qualidade Automotiva, realizado em setembro em São Paulo, o aftermarket foi o único segmento que apresentou apenas curva de crescimento nos últimos cinco anos.

Porém, mais do que olhar para o passado, as atenções se voltam para o futuro. E a perspectiva continua favorável. Segundo Ioschpe, a produção de veículos deve crescer cerca de 5% no ano que vem, o que significará um total de 3,15 milhões de unidades saindo das linhas de montagem. A expansão é menor do que os dois anos anteriores, em que também houve desempenho positivo: 24% em 2017 e previsão de 12% em 2018. Porém, é importante lembrar que quanto melhor o resultado anual, maior a base comparativa estabelecida no período anterior.

Mais carros fabricados, mais peças consumidas pelas montadoras e pelo mercado de reposição. “Em linhas gerais, teremos um crescimento de 14% no faturamento do setor de autopeças neste ano, na sequencia de um crescimento de 24%, mas vindo de uma base muito baixa dos anos anteriores. Nossa dificuldade ainda é a balança comercial. Estamos ampliando o déficit, que deve chegar perto dos 6 bilhões de dólares este ano”, diz o presidente do Sindipeças. Um dos entraves da balança comercial é a dependência das exportações para a Argentina, país que ao longo das últimas décadas alterna graves crises com momentos de estabilidade econômica. Por isso, é fundamental a inserção global da indústria automotiva brasileiro.

O setor de autopeças opera hoje com 70% de sua capacidade de produção, contra os 50% do período da crise. “Quando atingirmos algo em torno de 85% vamos chegar a um ponto de equilíbrio mais adequado para que nossas empresa operem com mais tranquilidade. Mas, sem duvida, já estarmos na casa dos 70% é um avanço”.