GiPA revela situação do aftermarket na América Latina

Pesquisa revela o aftermarket na América Latina

Em live realizada nesta semana, a empresa global de pesquisas e informações para o setor automotivo GiPA analisou a situação dos três principais mercados da América Latina: Brasil, México e Argentina.

Na abertura do encontro, Fernando López, CEO da GiPA fez uma rápida introdução demonstrando que na Europa, especialmente nos países do G5, ainda hoje metade das oficinas permanece fechada. “Pouco a pouco, elas estão reabrindo, mas seguindo as normas de cada país. Na Espanha, por exemplo, há uma limitação para que as oficinas que tenham mais de 400 metros quadrados não possam abrir. Isso fez com que muitas empresas permanecessem fechadas. Algumas porque a legislação ainda não permitiu a reabertura, outras porque não viram como viável a adaptação às novas exigências para reabertura. A exceção foi para as empresas que mexem com concerto de pneus, que foram consideradas serviço essencial”.

López contou que durante dois meses e meio, em algumas semanas a queda no mercado de reposição chegou a 98% e continua em baixa na Europa. O mercado ainda tenta entender quais sequelas a crise deixará no aftermarket.

América Latina

Nos três principais mercados automotivos da América Latina, cada país tomou um rumo de acordo com a legislação estabelecida para o combate à pandemia.

Negócios abertos e fechados durante a pandemia. Fonte: GiPA
% dos trabalhadores do setor que atualmente se encontra ativo (trabalhando). Fonte: GiPA

As diferentes ações dos governos para combater a pandemia acabaram, também, resultando em diferentes impactos no mercado de reposição. No caso do Brasil, a autonomia dos estados pesou muito, conforme explicou Laurent Guerinaud, diretor da empresa no país. “O primeiro ponto é que o Brasil é uma Republica Federativa. Apesar de ser um só país, a situação é diferente em cada estado. O Governo Federal acabou se empenhando mais nas medidas econômicas e trabalhistas. A maioria dos estados tomou decisões favorecendo o isolamento social”.

No mercado de reposição brasileira, a queda foi de 79% em comparação ao que seria esperado para o ano de 2020 sem a pandemia. Embora muito elevado, o índice foi menor do que no México e na Argentina. “Na Argentina houve consenso entre os governos central e locais e, em março. teve início confinamento total. Apenas veículos de serviços essenciais puderam circular. As oficinas e concessionárias fecharam por três semanas e meia. O país já vinha sofrendo com um cenário anterior de recessão e inflação, o que fez com que boa parte dessas empresas diminuísse de tamanho a partir da abertura. Como o país se uniu em favor das medidas preventivas e da saúde, agora os economistas debatem caminhos para retomada após os mais de dois meses de confinamento”, explicou Florencia Delucchi, diretora da GiPA na Argentina.

Esse foco no isolamento fez com que a circulação dos veículos na Argentina caíssem muito mais do que no Brasil, país em que não houve consenso entre as políticas de confinamento propostas por estados e municípios com o Governo Federal.

Evolução da atividade desde o início da pandemia – Concessionárias, oficina independente e especialista em pneus. Fonte: GiPA
Diminuição de km recorridos pelos motoristas desde que começou a pandemia. Fonte: GiPA

Segundo Óscar Balcázar, Diretor da GiPA no México e América, há mais semelhanças entre seu país o Brasil do que entre México e Argentina com combate à pandemia. “O país começou a começar atitudes no início de abril e, agora no começo de junho, já pode flexibilizar porque os números não são tão ruins como no Brasil. Todas as oficinas de alguma forma estão trabalhando, mesmo as que fecharam as portas mantiveram as atividades internamente. As montadoras preveem retomar a produção a partir de 1º de junho. O México já estava havia quatro anos mostrando redução no licenciamento de automóveis. Por isso, uma preocupação do mercado de reposição é a queda nos níveis de crescimento da frota. Embora 95% dos donos de carros contem com internet, o ambiente digital é acessado apenas por 40% deles em assuntos relacionados à manutenção do veículo. Hoje, não chegam carros nem clientes, portanto as oficinas vivem situação difícil. Aquelas que trabalham com funcionários informais encontraram mais facilidade para colocar os mecânicos em espera, porém as grandes oficinas encontraram mais dificuldade. E, assim como a Argentina, o México já não vinha de um bom momento econômico”.

No Brasil, a redução do número dos veículos em circulação também afetou o movimento nas oficinas. “A falta de cliente já era a segunda dificuldade mencionada pelos reparadores ano passado em pesquisa realizada pela Gipa. Os motoristas evitam sair e acredito que o receio vai continuar mesmo após o período de pandemia. Isso faz com que o motorista possa ter a tendência a fazer mais a manutenção corretiva. Outra dificuldade das oficinas é sobreviver, já há um número de empresas perto de fechar e isso deve piorar, o que pode levar a uma concentração do setor. Não observamos muitas dificuldades em relação ao fornecimento de peças”, contou Laurent Guerinaud.

Perdas no aftermarket

As medidas de combate e contenção ao coronavírus implementadas no Brasil, especialmente o isolamento social, tiveram um impacto de 3 bilhões de reais no aftermarket no período de março até este final do mês de maio, segundo cálculo da GiPA. Laurent Guerinaud citou três fatores que precisam ser considerados neste momento para avaliar os impactos da crise no aftermarket automotivo. “O primeiro é a queda nos emplacamentos de veículos novos. Temos hoje projeções de redução de 20% a 40% para este ano. Teríamos, então, algo entre 1,6 e 1,9 milhão de emplacamentos. Esse efeito vai ter longa duração, porque vai impactar a estrutura da frota no longo prazo. O segundo ponto a considerar é a perda de atividade. O mês de março ao final de maio, tivemos queda de 78% da atividade no aftermarket, o que significa 1,6 bilhão de reais que deixaram de ser faturados. E o terceiro efeito é a queda de atividade devido à quilometragem que deixou de ser percorrida pelos veículos – segundo pesquisa da empresa, o índice é de 50%”. A Gipa tem experiência para calcular o impacto em faturamento, há operações feitas por prazo e não apenas pela quilometragem recomendada para as manutenções. O cálculo que fizemos é que até o final de maio o impacto será de 1,4 bilhão de reais.

Guerinaud avaliou que o impacto na atividade vai ser diluído entre seis meses e um ano a partir do final da crise, até porque está se formando uma demanda reprimida. No entanto, as perdas com a quilometragem não rodada não poderão ser recuperadas. E a evolução desses índices está diretamente ligada ao comportamento da epidemia no país e a retomada da normalidade. “Em dois meses de baixa atividade tivemos pouco mais de 5% de queda do faturamento anual. Se a gente considerar mais dois meses, aí vamos chegar a julho, que é um mês tradicionalmente de forte atividade. Se a crise de Covid-19 acabar no final de julho, esses 5% podem triplicar ou quadruplicar. Porém, já há especialistas dizendo que o problema pode se estender até setembro. Aí será catastrófico para o aftermarket, com queda de até 50% ao final do ano”, sentenciou o executivo.

Veja os números apurados pela GiPA referentes ao final do mês de abril

Gráficos e tabelas: GiPA