Custo do crédito para empresas deve aumentar com a alta da Selic

Hamilton de Brito Jr*

Na guerra contra a inflação, o Banco Central aumentou a Selic em 1,5%, fixando a taxa a 7,75% e deixando claro que haverá novo aumento da mesma magnitude até o final desse ano – as projeções estimam que chegue a taxa básica de juros chegue 9,25%. No momento, esta é a única arma disponível, já que a parte fiscal ficou comprometida com o anúncio de flexibilização do teto de gastos, pois as reformas tributária e administrativa que trariam maior arrecadação e redução de despesas não avançaram. Este ano, a batalha contra a inflação de dois dígitos já está perdida, mas o Banco Central deve focar em trazer os índices para a meta no próximo ano.

O setor de fomento comercial, que envolve empresas de factoring, FIDCs, securitizadoras e ESCs, já vinha sofrendo por força da concorrência com outras modalidades de crédito. Agora, com o aumento da Selic, o mercado deve operar com viés de alta para as taxas menores e manutenção das mais elevadas. Especialmente entre as empresas que estão alavancadas, não restará alternativa senão o repasse da alta para os tomadores de crédito.

Com isso, a tendência é que o custo do crédito aumente, o que poderá ter reflexo no nível da atividade econômica, especialmente no próximo ano. As empresas de fomento comercial trabalham, principalmente, com antecipação de recursos para micro, pequenas e médias empresas.

Hamilton de Brito Jr., presidente da ABRAFESC (Associação Brasileira de Factoring, Securitização e Empresas Simples de Crédito) e do SINFAC-SP (Sindicato das Sociedades de Fomento Mercantil Factoring).