Custo de vida na Região Metropolitana de SP tem a maior alta dos últimos 11 anos

Em abril, o Custo de Vida por Classe Social (CVCS), indicador da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), apontou a maior variação anual desde 2011, quando a Entidade começou a realizar o processamento das informações. O acumulado em 12 meses foi de 12,04%. De acordo com a pesquisa, os setores de transporte e habitação, com altas, em um ano, de 19,40% e 13,57%, respectivamente, foram os principais responsáveis pela elevação do custo de vida no período. Em comparação a março, o aumento observado no CVCS foi de 1,33%.

A alta dos preços segue dispersa pelos itens de consumo das famílias, mas os gastos com transporte e alimentação superaram 80% da variação mensal. Isto é, representam 1,08 ponto porcentual (p.p.). O aumento de 3,08%, no primeiro caso, foi puxado pelas passagens aéreas, que subiram, em média, 23,6% no mês, em decorrência do encarecimento do preço do querosene de aviação. Além dele, as altas do etanol (9,6%), do óleo diesel (4,8%) e da gasolina (1,8%) influenciaram o grupo. Nos serviços, observou-se alta no preço das corridas de táxi, que apontaram aumento médio de 38,8%, em razão do reajuste da bandeira, de R$ 4,50 para R$ 5,50 – o que não ocorria desde 2016.

Entre os alimentos a inflação segue dispersa, impactando os preços de 70% dos itens analisados na pesquisa. A variação mensal do grupo de alimentação e bebidas foi de 1,87%, e a anual, de 11,79%. O pão francês foi o que mais pressionou individualmente o grupo, com elevação de 5%. Já o óleo de soja subiu 9,3%. Estes aumentos têm relação direta com a escalada das commodities agrícolas, que se acentuou durante a guerra da Ucrânia, sobretudo no caso do trigo.

Outros itens de consumo ficaram mais caros. Dentre eles, o leite longa vida (5,4%), a alface (8,9%), o feijão (7,5%) e o macarrão (4,7%). A alta ampla dos preços dos alimentos tem várias explicações. Uma delas é a elevação dos custos de insumos e transportes, além de questões ligadas ao clima e às entressafras. 

Os produtos ligados à saúde apresentaram variação mensal de 2,25%. No mês de abril acontece, tradicionalmente, os reajustes dos medicamentos autorizados pelo governo. Assim, analgésicos e antitérmicos subiram, em média, 6,8%; remédios anti-inflamatórios, 6,5%; e antibióticos, 6,2%.  As demais altas do CVCS foram observadas nos grupos de artigos do lar (0,95%) e despesas pessoais (0,38%). Os preços ligados à comunicação apresentaram estabilidade, assim como os relacionados ao vestuário (-0,02%).

Por fim, os serviços relacionados à habitação tiveram recuo mensal de 0,65%. O que influenciou o resultado foi a energia elétrica residencial (-8%), puxada pelo retorno da bandeira tarifária à fase verde, sem a cobrança da taxa extra, relacionada à escassez hídrica.

Aumento de preços × faixa de renda
A elevação dos preços dos transportes trouxe consequências, principalmente, para o custo de vida das famílias da classe E. A variação mensal para este estrato social foi quase três vezes maior do que para a classe A: 5,42% e 1,94%, respectivamente. Também houve discrepância relevante na análise por faixa de renda entre alimentos e bebidas. Para as classes mais altas, a variação foi de 1,58%, enquanto atingiu nas classes D, 2,38%, e E, 2,33%.

Na saúde, o aumento para a classe E foi de 4,06%, enquanto para a classe A, a variação foi de 2,225%. A alta foi mais expressiva ainda no acumulado em 12 meses, atingindo quase o dobro: 5,85%, para a faixa de renda mais alta, e 11,23%, para a D.

A FecomercioSP avalia que as famílias devem se preparar para um período ainda muito delicado. No cenário internacional, a invasão da Ucrânia deve manter pressionados os preços das commodities, como o petróleo, a soja, o trigo, entre outros. Além disso, as restrições na China, em razão da nova onda da pandemia – que está prejudicando novamente o abastecimento da cadeia produtiva global –, deve contribuir para manter preços mais altos.

Na conjuntura interna, há pressões para novos aumentos nos combustíveis e reajuste da energia elétrica pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que deverá ser anunciado nos próximos meses. Ambos impactarão indiretamente o bolso do consumidor, seja ao abastecer o veículo, seja ao comprar produtos nos supermercados. Vale ainda ressaltar que o aumento do óleo diesel também pressiona os custos nas produções agrícolas.