Conheça os tipos e as histórias das vias urbanas

As vias urbanas são determinadas pelo CTB em 4 tipos: vias locais, vias coletoras, vias arteriais e vias de trânsito rápido.

As vias urbanas são importantes para a mobilização dos transportes nas cidades. Porém, existem diversas perguntas sobre esse tipo de trajeto. Qual é a definição exata delas? E quais são os tipos? Confira abaixo.

O Código Brasileiro de Trânsito (CTB) determina que o fim a que se destina o espaço determinado é que o caracteriza como via urbana ou rural. Trocando em miúdos, regiões constituídas por imóveis edificados por toda sua área constitui como elemento para a via urbana.

Também no CTB, a via urbana é definida como “ruas, avenidas, vielas, ou caminhos e similares abertos à circulação pública, situados na área urbana, caracterizados principalmente por possuírem imóveis edificados ao longo de sua extensão.” Existem quatro tipos de qualificações: vias de trânsito rápido, vias arteriais, vias coletoras e as vias locais.

Os tipos de vias urbanas

  • Vias locais
    Com limite de 30 km/h, o CTB define elas como “caracterizada por interseções em nível não semaforizadas, destinada apenas ao acesso local ou a áreas restritas”. Não possuem nenhum tipo de ligação, sendo usadas apenas por veículos restritos. Um exemplo desse tipo de vias urbanas são as ruas de um condomínio fechado.
  • Vias coletoras
    Com limite de 40 km/h, o Código Brasileiro de Trânsito define esse tipo de via urbana da seguinte maneira: “aquela destinada a coletar e distribuir o trânsito que tenha necessidade de entrar ou sair das vias de trânsito rápido ou arteriais, possibilitando o trânsito dentro das regiões da cidade”.
  • Vias arteriais
    Com limite de 60 km/h, as vias arteriais são caracterizadas por interseções em nível, geralmente controlada por semáforo, com acessibilidade aos lotes lindeiros e às vias secundárias e locais, possibilitando o trânsito entre as regiões da cidade. Uma das principais funções delas é ligar um bairro a outro.
  • Vias de trânsito rápido
    Com limite de 80 km/h, as vias de trânsito rápido são caracterizadas pelos acessos especiais com trânsito livre, sem interseções em nível, sem acessibilidade direta aos lotes lindeiro e sem travessia de pedestres em nível. Elas não possuem semáforos, cruzamentos ou retornos.

Vias urbanas com história

Avenida 9 de Julho (Buenos Aires, Argentina)

A Avenida 9 de Julio, em Buenos Aires, na Argentina, é uma das vias urbanas mais icônicas do mundo.

Uma das principais vias urbanas da capital argentina, a Avenida 9 de Julho é uma das avenidas mais largas do mundo, com 140 metros de largura. Com um trajeto total de aproximadamente 3 km, ela percorre o centro de Buenos Aires, fazendo a conexão com outras importantes vias da cidade.

Ponto turístico de Buenos Aires, a 9 de Julho ainda conta no meio de seu trajeto com o Obelisco, monumento histórico construído em 1936.

A obra da 9 de Julho foi idealizada durante a gestão do prefeito Francisco Seeber, mandatário de Buenos Aires entre 1889 e 1890. O objetivo é que a via fosse uma artéria que atravessasse a cidade de norte a sul. Porém, demorou até o projeto sair do papel. As obras do primeiro trecho só foram entregues em 1937 pelo presidente Agustín Pedro Justo, tendo apenas 500 metros de extensão.

O nome 9 de Julho é uma homenagem à data da independência da Argentina, que foi efetuada em 1816.

Champs-Élysées (Paris, França)

A Champs-Élysées já presenciou momentos históricos

A avenida localizada na capital da França é uma das vias urbanas mais famosas do mundo. Com um trajeto de 1.9 km e 70 metros de largura, a estrada é conhecida pelos seus teatros, cafés e outros tipos de estabelecimentos.

No seu trajeto, a Champs-Élysées passa por diversos monumentos históricos da França, como o Arco do Triunfo, além das praças Charles de Gaulle e Place de la Concorde. A avenida sedia anualmente a parada militar do Dia da Bastilha e a chegada da corrida de bicicletas Tour de France.

A Champs-Élysées também testemunhou fatos da história. Em 1940, as tropas nazistas comemoraram a Queda da França com uma parada na avenida. Em 1944, as forças libertadoras francesas e norte-americanas desfilaram onde os alemães haviam festejado anos antes para celebrar a libertação da cidade.

Antes de ser construída, na época do rei Luís XIV, a região da Champs-Élysées era ocupada por jardins e campos verdes. André Le Nôtre decidiu criar uma via por ali, que foi finalizada em 1670. Em 1709 começou a ter a denominação atual.

Em português, Champs-Élysées são os Campos Elíseos, o paraíso para os heróis mortos na mitologia grega.

Quinta Avenida (Nova York, Estados Unidos)

A Quinta Avenida, em Nova York, nos EUA, está na lista das vias urbanas mais famosas do planeta.

Com quase 10 km de extensão, a Quinta Avenida é considerada uma das avenidas mais caras e elegantes do mundo. Extremamente movimentada, a via fica localizada em Nova York, Estados Unidos, mais precisamente em Manhattan.

A Quinta Avenida está cheia de pontos notáveis. Um deles é o Empire State Building, um arranha-céu de 102 andares que durante muitos anos foi o edifício mais alto do mundo. Outro destaques da via são o Rockefeller Center, o Central Park, a Biblioteca Pública de Nova York e a Catedral de São Patrício, além dos museus Metropolitan Museum of Art e Solomon R. Guggenheim.

A Quinta Avenida era originalmente apenas uma via mais estreita, só que a seção ao sul do Central Park foi ampliada em 1908, sacrificando suas amplas calçadas para acomodar o crescente tráfego.

No final do século XIX, os ricos de Nova York começaram a construir mansões ao longo da Quinta Avenida, entre as ruas 59 e 96, com vista para o Central Park. No início do século 20, essa parte da Quinta Avenida tinha sido apelidada de “Millionaire’s Row”.

Por vários anos, começando em meados dos anos 90, o distrito comercial entre as ruas 49 e 57 foi classificado como tendo os espaços de varejo mais caros do mundo, com base no custo por metro quadrado. Em 2008, a revista Forbes classificou a Quinta Avenida como a rua mais cara do mundo.

Lombard Street (San Francisco, Estados Unidos)

A Lombard Street, em San Francisco, nos EUA, é a via mais tortuosa do mundo.

Essa via localizada em San Francisco, no estado norte-americano da Califórnia, é muito famosa por suas curvas, sendo considerada a “rua mais tortuosa do mundo”. Além disso, ela fica em uma ladeira íngreme, aumentando a sua peculiaridade.

Mesmo não sendo uma rua muito extensa, a Lombard Street costuma receber 250 veículos por hora, com um tráfego diário de 2630 automóveis, segundo dados de 2013.

A ideia da rua foi do proprietário Carl Henry, em 1922. Como a ladeira tem uma inclinação de 27 graus, ele decidiu pavimentar um trajeto extremamente tortuoso para possibilitar a passagem de carros por ali.

Por sua peculiaridade, a Lombard Street já foi muito retratada na cultura pop. Ela já apareceu em filmes como “Homem-Formiga e a Vespa” e “Divertida Mente”, além de ter uma versão descaracterizada no jogo Grand Theft Auto: San Andreas.

O superintendente Jasper O’Farrell foi quem nomeou a rua. Ele quis homenagear outra Lombard Street, que ficava na Filadélfia, também nos Estados Unidos, no Estado da Pensilvânia.

Abbey Road (Londres, Inglaterra)
Uma rua curta de Londres, não muito chamativa pelo seu trajeto, que começa em Kilburn, na junção entre a Quex Road e a West End Lane. Porém, em sua extensão de 1.4 km, fica o Abbey Road Studios, um estúdio de gravação que já recebeu diversos artistas.

Lá, os Beatles gravaram muitos sucessos dos anos 60. Em 1969, a banda britânica de rock resolveu nomear o seu 11º álbum de estúdio como Abbey Road, em homenagem à rua onde ficava o estúdio.

Além disso, a foto de capa do disco são os integrantes atravessando a faixa de pedestres, o que aumentou o interesse pela via. Desde então, a Abbey Road virou um ponto turístico de Londres. Em dezembro de 2010, o cruzamento em que os Beatles atravessaram foi tombado pelas autoridades britânicas.

A avenida de 20 faixas (Naypyidaw, Myanmar)
A capital do Myanmar, Naypyidaw, é uma cidade planejada. Desde 2005 substituiu Yangon como sede do governo deste país do Sudeste Asiático. O objetivo era criar um lugar grandioso. Ao menos isso foi possível, uma das principais atrações do local é a avenida de 20 faixas que leva a prédios governamentais, o que a torna uma das mais largas vias urbanas do planeta.

O problema é que Naypyidaw nasceu grandiosa, tem quatro vezes o tamanho de Londres, mas conta com uma pequena população de menos de 1 milhão de habitantes. Isso significa que a cidade é vazia. A avenida de 20 faixas tem com frequência o tráfico de apenas uma moto ou carro ocupando uma imensidão de pavimento.

Yonge Street (Toronto, Canadá)
É uma importante via arterial na província canadense de Ontário, que liga as margens do lago Ontário, em Toronto, ao lago Simcoe, uma porta de entrada para os Grandes Lagos. Até 1999, o Guinness Book of World Records repetia o equívoco popular de que tinha 1.896 km de comprimento e era a rua mais longa do mundo.

A grande extensão ocorreu devido a uma fusão da Yonge Street com o restante da rodovia 11 de Ontario. A Yonge Street (incluindo a extensão de Bradford-to-Barrie) tem, na verdade, 56 km de comprimento.

A Yonge Street foi fundamental no planejamento e assentamento original do oeste do Canadá na década de 1790, formando a base das estradas de concessão de Ontário hoje.

Baldwin Street (Dunedin, Nova Zelândia)

A Baldwin Street, em Dunedin, na Nova Zelândia, pode causar vertigem.

A Baldwin Street, em Dunedin, na Nova Zelândia, foi reconhecida como a rua residencial mais íngreme do mundo em 1987 e, perdeu o título em 2019 por um engano, corrigido novamente em abril de 2020, de acordo com o Guinness World Records.

A seção superior de 161,2 metros de comprimento (529 pés) sobe 47,2 metros na vertical, um gradiente médio de 1: 3,41. No máximo, a cerca de 70 metros (230 pés) do topo, a inclinação da Baldwin Street é de cerca de 1: 2,86 (19 ° ou 35%). Ou seja, para cada 2,86 metros (9,4 pés) percorridos horizontalmente, a elevação muda em 1 metro (3,3 pés).

Famosas vias do Brasil

Avenida Paulista (São Paulo-SP)

Avenida Paulista: o coração de São Paulo

Com uma extensão de 2,7 km, a Avenida Paulista é o coração da cidade de São Paulo. É um dos principais centros financeiros da cidade, além de ser um dos pontos turísticos mais famosos do município.

Abriga diversos pontos interessantes, como o Museu de Arte de São Paulo (MASP), a Casa das Rosas, o Parque Trianon e o Conjunto Nacional. Além disso, abriga uma quantidade enorme de delegações consulares de diversos países em seus quarteirões.

A Avenida Paulista foi inaugurada em 1891 pela iniciativa do engenheiro uruguaio Joaquim Eugênio de Lima e do Dr. Clementino de Souza e Castro. A ideia era expandir as áreas residenciais na cidade. O nome da via seria Avenida das Acácias ou Prado de São Paulo, mas o uruguaio Lima decidiu que se chamaria Paulista em homenagem aos cidadãos do Estado de São Paulo.

Em 1920 ela teve seu nome alterado para Carlos de Campos, mas a decisão revoltou a população e logo a denominação original foi reestabelecida. A Paulista foi a primeira via pública asfaltada de São Paulo, em 1902, com material importado da Alemanha, algo que era visto uma novidade até em grandes centros da Europa e dos Estados Unidos.

Avenida Brasil (Rio de Janeiro-RJ)
Com 58,5 km de extensão, a Avenida Brasil corta 26 bairros da cidade do Rio de Janeiro. Uma das mais importantes vias urbanas desta cidade. Apenas um trecho de 3 km, recebe o nome “Avenida Brasil”, que inclui a Avenida João XXIII, em Santa Cruz, e o acesso à pista da BR-101, no mesmo bairro.

É a maior avenida na extensão do Brasil e a maior trecho urbano da BR-101, ligando exatamente à BR-101 norte (Ponte Rio-Niterói e Rodovia Rio-Vitória / Niterói-Manilha) à BR-101 sul (Rodovia Rio-Santos).

A primeira ideia de construção dessa via foi em 1906, durante a Era Pereira Passos na prefeitura do Rio de Janeiro. O principal objetivo era ligar o centro da cidade até os bairros que ficavam depois da Ponta do Caju. Em 1916, o projeto ainda continuou sendo debatido.

A inauguração da Avenida Brasil só aconteceu em 1946, sobre o aterro da orla da Baía da Guanabara. Sua missão inicial era deslocar o fluxo de veículos provenientes de São Paulo e de Petrópolis.

Avenida Sapopemba (São Paulo-SP)
Com 45 km de extensão, a Avenida Sapopemba, localizada na Zona Leste de São Paulo, é considerada a segunda maior avenida do Brasil, ficando atrás apenas da Avenida Brasil no Rio de janeiro que possui 58,7 km. É uma das principais vias urbanas da Grande São Paulo.

Para se ter uma ideia de sua imensidão, a Avenida Sapopemba possui 1.786 postes e cerca de 40 linhas de ônibus passam por sua extensão, ligando municípios como São Paulo, Mauá e Ribeirão Pires.

Sua origem remonta ao início do século XIX, quando era chamada da Estrada de Sapopemba e ligava uma zona rural ao centro da cidade de São Paulo. Em 3 de junho de 1954, o prefeito Jânio Quadros sancionou a Lei 4.484, que alterou o nome de “estrada” para “Avenida Sapopemba”.

O início da via é no acesso à avenida Salim Farah Maluf, no distrito da Água Rasa e termina no Largo de Santa Luzia, próximo ao centro do município de Ribeirão Pires. A partir do limite entre as cidades de Mauá e São Paulo, a avenida passa a ser denominada como “SPA-052/031 Ramal Sapopemba”, trecho sob jurisdição do DER (Departamento de Estradas de Rodagem).