Brasil deve ficar atento a risco de “cubanização” dos motores

E o Brasil? Quando o assunto é carro elétrico, essa é a pergunta que sempre surge. Afinal, o país introduziu há mais de 40 anos uma solução energética ambientalmente mais limpa com o etanol e, até o momento, não tem qualquer previsão ou política de incentivo à eletrificação da frota. Por outro lado, dependemos de pesquisa e desenvolvimento das matrizes e, quando elas descartarem o motor a combustão interna, o que será de nós?

Para Gerson Prado, presidente da Nexus Automotive International, de Genebra, Suíça, o Brasil precisa ficar atento aos riscos de um processo de “cubanização” dos motores brasileiros – uma alusão à situação de Cuba, que após o isolamento provocado pelo bloqueio econômico norte-americano e o fim dos recursos enviados pela antiga União Soviética se vê às voltas com um permanente processo de “recauchutagem” de carros velhos, em boa parte modelos norte-americanos produzidos na década de 50.

“As plataformas de carros são globais. Tudo o que a gente tem aqui vem do mundo. Estados Unidos, China, Japão, Coreia e União Europeia não farão mais motor. Como a gente fica? O Brasil está perdido nesse aspecto. A gente não discute esse tema. Não temos sequer uma iniciativa do governo. Só que temos o álcool. E se o mundo não vai mais desenvolver motor a combustão, talvez a gente tenha aqui um desenvolvimento atrasado. Se continuarmos no motor a combustão, teremos pouco desenvolvimento de tecnologia. E isso significa que o carro no Brasil vai ficar mais caro”.