As perdas do comércio em 90 dias

O Fórum Paulista de Desenvolvimento (Fopa 2020) reuniu, na terça-feira (30/06), durante todo o dia, nomes influentes da política, dos negócios e do empreendedorismo para debater o tema A Retomada do Desenvolvimento. O presidente da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), José Roberto Tadros, participou falando sobre as graves consequências no setor, em virtude da redução da atividade econômica gerada pela crise do novo coronavírus.

O evento, em webinar (seminário on-line em vídeo) transmitida pela plataforma Youtube, teve o patrocínio do Governo do Estado de São Paulo, com o apoio da Associação Comercial de São Paulo. Participaram, entre outros, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, o ex-presidente da República Michel Temer, o ex-governador de São Paulo Geraldo Alkmin, que coordenou as palestras, e o ex-ministro da Fazenda e atual secretário da Fazenda e Planejamento paulista, Henrique Meirelles.

Em sua exposição, Tadros afirmou que, dos três setores que movem a economia, o que mais vem sofrendo com a crise é o terciário. “A indústria e a agricultura têm a fuga da exportação de seus produtos, enquanto o setor do comércio de bens, serviços e turismo não tem essa possibilidade. Desde o início da pandemia, vimos enfrentando uma série de problemas”, disse. 

Comércio

Dos segmentos ligados à CNC, segundo ele, o mais gravemente afetado foi o Turismo, “que teve uma queda brutal na sua atividade”. O número de demissões no setor deve chegar a 728 mil trabalhadores até o fim de junho, enquanto a perda acumulada no faturamento ficará próxima dos R$ 88 bilhões. “E o pior é não vislumbrar, no curto ou mesmo no médio prazo, a reativação do turismo”, observou.

Já o comércio perdeu R$ 210 bilhões em 90 dias. Milhares de lojas fecharam suas portas. “Encontramos algumas saídas no âmbito do comércio, notadamente no de alimentos – bares e restaurantes –, por intermédio do delivery, o que amenizou um pouco o prejuízo.”

A redução da atividade econômica tem outras consequências ainda mais graves, afirmou. A CNC projeta que, a perdurar o atual quadro por mais algum tempo, o desemprego no País pode chegar a 20% da população economicamente ativa. 

Retomada

A abertura parcial de estabelecimentos em algumas cidades já propiciou, em junho, uma redução das perdas da ordem de R$ 9 bilhões. Os comerciantes, de acordo com o dirigente, estão procurando de todas as formas exercer a criatividade. Assim, alguns empreendedores encontraram e estão investindo em novas possibilidades, através do e-commerce e do delivery, por exemplo.

“Nossa esperança para superar essa crise é o surgimento de uma vacina” – há mais de uma centena de projetos em desenvolvimento no mundo, sendo que oito deles já estão em fase de testes em humanos e quatro podem sair ainda neste ano.

A CNC está orientando o empresariado sobre como agir neste momento único, como deve proteger os seus recursos humanos e qualificá-los. Tadros citou o  Senac, braço de educação profissional do Sistema Comércio, que disponibiliza cursos que vão até o ensino superior. Já o Sesc oferece os ensinos fundamental e médio.

Durante a pandemia, a atividade não parou. Por meio de trabalho remoto, estão sendo oferecidos cursos on-line. Dessa forma, a preparação da mão de obra permanece ativa e já encaminhada para os novos negócios que estão surgindo. “Queremos com isso reduzir a diferença que existe hoje entre os países desenvolvidos e o Brasil, que tem um déficit de sete anos de aprendizado.”

Paralelamente, “para amenizar o sofrimento do povo brasileiro”, Sesc e Senac puseram à disposição sua estrutura para arrecadar e distribuir alimentos. “Para os que hoje vivem à margem da atividade econômica formal não passarem dificuldades. Entregamos 5,4 milhões de quilos de alimentos em todo o País. Como Sesc e Senac têm unidades em praticamente metade dos municípios do Brasil, podemos chegar a pontos bem distantes dos grandes centros”, revelou.

José Roberto Tadros declarou que CNC, Sesc e Senac preservaram seus recursos humanos “como ativos mais importantes. Esse trabalho vem sendo desenvolvido por todo o Sistema Comércio, procurando, além do trabalho com preocupação social, se pôr à disposição do poder público, oferecendo ajuda quando solicitado”.  Em um primeiro momento, lembrou, foram oferecidos ao governo federal recursos equivalentes a R$ 1 bilhão para, através da capilaridade de Sesc e Senac, atender brasileiros.

“Precisamos preparar o Brasil para sair desta crise muito mais forte e coeso, com a visão de que temos, neste momento, um único inimigo a combater, que é o coronavírus. As questões políticas, a meu juízo, devem ficar em segundo plano. Agora é focar em salvar o maior número possível de brasileiros”, concluiu.

O ex-governador Geraldo Alckmin, que estava mediando as palestras, agradeceu a exposição do presidente da CNC, “mostrando a gravidade da crise no setor do comércio de bens, serviços e turismo e a necessidade de haver um esforço grande do governo para recuperá-lo. É o setor que mais emprega e reúne empresas de todos os portes”. Alckmin elogiou também o trabalho que vem sendo feito por Sesc e Senac, “com medidas sociais de grande alcance”.