Antonio Carlos de Paula é homenageado pelo Sincopeças-SP

Após anunciar sua aposentadoria ao acumular 47 anos de experiência no mercado de reposição, Antonio Carlos de Paula foi homenageado pelo Sincopeças-SP através de seu presidente, Francisco Wagner De La Tôrre, que também exerce o cargo de vice-presidente da Fecomércio (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo). O profissional se destacou pelo seu trabalho na distribuidora Pellegrino, na qual atuou como Diretor Comercial, Diretor Geral e Diretor de Vendas.

Depoimento Francisco Wagner De La Tôrre sobre Antonio Carlos de Paula

Nossa homenagem ao Antonio Carlos não se limita exclusivamente ao profissional em si, mas deve se estender a toda uma geração. Homenagens que deveriam ter sido feitas em vida para Pedro Molina, fundador da Roles e presidente da Andap, para Frederico dos Ramos, fundador da Ginjo e também presidente da Andap, João Gomes da Silva Neto, fundador da Careca Autopeças e por muitos anos 2º tesoureiro do Sincopeças-SP, e tantos outros que contribuíram enormemente para que esse setor tivesse o tamanho que tem hoje, com tamanha capilaridade, que é tão somente resultado da construção de pessoas. Essa homenagem tem o intuito de mostrar nossa gratidão não apenas ao Antonio Carlos, mas a todos aqueles que, lado a lado, contribuíram para a construção desse segmento. Novos desafios existem, mas se hoje esse segmento tem vantagens comparativas com outros canais de abastecimento de autopeças é graças a essas pessoas. Para o Sincopeças-SP essa homenagem é importante porque somos uma instituição que, apesar do terremoto que foi a Lei 13.467, que instituiu da Reforma Trabalhista, chega aos 80 anos forte, vigoroso, atuante, bem estruturado graças a essas pessoas que não só tiveram uma atuação empresarial muito importante, mas deixaram como grande lição que, sempre em paralelo com as suas atuações empresariais, caminharam as suas atuações institucionais. Foram essas pessoas que construíram os pilares do Sincopeças, do Sicap, da Andap e do Sindipeças. É importante valorizar e compreender o passado para enxergar com clareza o futuro.

Confira mais sobre a carreira de Antonio Carlos de Paula em suas próprias palavras

Descreva sua trajetória profissional no aftermarket automotivo, com dados históricos e comentários sobre sua relação com o varejo.

  • Iniciei a carreira em 1972 na Marilia Auto Pecas, sempre atuando no Aftermarket.
  • Em 1982 comecei a atuar na Albarus S/A. Industria e Comercio, que é a atual Dana Corporation. Ali comecei a ter projeção nacional no segmento. Iniciei como Vendedor, e fui galgando posições dentro da área comercial, chegando à Diretor de Vendas Aftermarket. No período de 1996 à 1999 atuei na Pellegrino como Diretor Comercial.
  • Retornei à Dana, onde fiquei até 2004, quando novamente voltei à Pellegrino na posição de Diretor Geral do negócio. Atuei nesta posição até 2015, quando a empresa passou a pertencer ao  Grupo Comolatti. Fiquei até Outubro de 2019.
  • Sempre tive como orientação estratégica para o Aftermarket, que o cliente deste negócio é aquele que joga a  embalagem na lata do lixo. Ou seja o mecânico que aplica o produto. Alguém vai fabricar e alguém vai aplicar. Então, este entendimento sempre me mostrou que a cadeia de distribuição é fundamental neste negócio, principalmente os varejos. Afinal, são eles que aliados à uma rede de distribuição nacional dão capilaridade às marcas dos fabricantes, levando produtos aos pontos mais distantes de um pais continental quem é o Brasil.
  • Daí, todas as iniciativas na Dana e também na Pellegrino sempre foram voltadas aos canais de revenda através dos varejos e dos mecânicos, procurado levar informações e conhecimento de forma a multiplicar as novas tendências de mercado e tecnológicas de produtos à estes dois canais que na minha ótica são fundamentais para a sobrevivência da cadeia de distribuição nos moldes atuais.
  • Destaco iniciativas importantes por exemplo o programa PHD (Profissional Homologado Dana), que implementamos em parceria com a Unicsul – Universidade Cruzeiro do Sul, que levava conhecimento e práticas de gestão às Equipes de Vendas e Gestores dos varejos. Outra importante ação é a Revista Pellegrino que está no mercado há mais de 25 anos, levando informações e outras demandas direcionadas ao canal de varejo o segmento.
  • Enfim, mesmo nos tempos que atuava na Industria, sempre enxerguei o Aftermarket como um canal de abastecimento e que esta cadeia deve funcionar harmonicamente.

Qual foi sua impressão sobre a homenagem do Sincopeças em reconhecimento à sua atuação no segmento?

  • Foi muito gratificante receber esta homenagem do Sincopeças. Afinal, o brasileiro tem memória curta e descarta rapidamente os atores de qualquer segmento. Mais ou menos como “rei morte, rei posto”. E, receber uma homenagem de tal magnitude de um órgão setorial tão importante me deixou bastante emocionado e feliz por saber que consegui fazer algo para o segmento. Logicamente devo reconhecer que tive ajuda dos meus superiores e da minha equipe que sempre apoiaram meus pensamentos e deram liberdade para trilhar um caminho diferente, valorizando sempre a cadeia de distribuição como um único canal de abastecimento.

A partir de sua experiência no aftermarket, quais os caminhos que você indicaria para o desenvolvimento do setor?

  • Levando em conta o que já disse acima, onde o abastecimento passa pelo canal, meu entendimento é que devemos nos fortalecer como cadeia de distribuição, envolvendo as entidades que congregam todos os players da cadeia. Ou seja, as entidades Sindipeças, ANDAP/SICAP, Sincopeças Nacional e Regionais e o Sindirepa, que já possuem um fórum de discussões que é o GMA (Grupo de Manutenção Automotiva), deve ter uma atuação mais assertiva e procurar fazer um Planejamento Estratégico do segmento, encarando-o como uma cadeia de distribuição, fazendo com que tenha uma visão única deste negócio e possamos fortalece-lo.
  • Hoje, cada uma das entidades tem suas iniciativas, porém voltadas ao seu mundo específico. Ou seja, discutem os assuntos mais URGENTES que precisam de atuação mais imediata e que normalmente está associado a atingir os objetivos daquela entidade e seus membros. Com isto deixamos em segundo plano o que é IMPORTANTE para o segmento como um todo.
  • Então, na minha ótica, estamos em momento atípico. Não dá para se passar por este momento como se tudo continuasse como sempre. É hora de priorizar ações IMPORTANTES E URGENTES. E, aí sim depois as importantes mas não urgentes. E assim por diante.
  • Portanto, minha sugestão é que todas as entidades possam se unir em torno do GMA, realizando um planejamento estratégico voltado nos grandes problemas do segmento, deixando que cada entidade resolva os seus problemas específicos de cada uma delas.

Faça outros comentários que julgar pertinentes.

  • O mercado de Aftermarket é muito grande. Apesar das dificuldades econômicas em outros segmentos, este foi um dos que menor impacto sofreu nestes tempos difíceis que estamos passando. Lembro que apesar de todas as ameaças que sempre aparecem, é um mercado que continua crescente as montadoras continuam desejando novos veículos e modelos no mercado.