Veículos por assinatura entram no radar dos consumidores

Por Claudio Milan

O serviço de assinatura de veículos ainda é incipiente no Brasil – o programa mais conhecido é o Carro Fácil, da Porto Seguro. Mas, se depender da disposição dos consumidores, a oferta pode aumentar.

A boa receptividade ao conceito foi constatada pelo capítulo brasileiro da pesquisa Global Automotive Executive Survey 2019. De acordo com o estudo, a possibilidade de assinar o uso de um carro por prazos preestabelecidos, pagando pelo tempo de uso, foi avaliada como ótima por metade dos entrevistados. E 40% dos brasileiros se imaginam aderindo a essa nova proposta. Naturalmente, a aceitação à novidade é maior entre o público jovem, aquele que mais valoriza a mobilidade em detrimento à propriedade do veículo.

Por outro lado, a possibilidade de contratar funções acessórias como GPS e potência adicional – e pagá-las pelo tempo de uso – foi entendida como ótima por 40% dos consumidores e rejeitada por 35% dos respondentes.

TRANSMISSÃO AUTOMÁTICA É ACESSÓRIO MAIS DESEJADO

Houve um tempo em que o consumidor brasileiro não aceitava carros com transmissão automática ou quatro portas. Mas nada como a evolução dos tempos. Hoje, os modelos com duas portas são raros – prevaleceu o bom senso sem prejuízo para o design.

Já a transmissão automática provavelmente só não é mais popular em razão do que acresce no preço do carro. Pois, no que depender do desejo dos consumidores, o item está em alta, como mostra a pesquisa da KPMG.

De acordo com o estudo, 38,75% dos entrevistados priorizam esse acessório no momento da compra. O índice é quatro vezes maior que o segundo item priorizado, a integração com o smartphone – esse sim um legítimo filho da inovação tecnológica que vem tomando conta dos carros brasileiros.

MAIS DE 90% DOS BRASILEIROS GOSTARIAM DE TER VEÍCULOS ELÉTRICOS PARA COMPRAR

Ainda que a posse do veículo esteja entre as perspectivas de longo prazo no mercado brasileiro, uma constatação chama a atenção no estudo realizado pela KPMG: 16,43% dos consumidores que pretendem adquirir o carro em até dois anos gostariam de comprar um automóvel elétrico híbrido e 11,25% optariam por veículos elétricos híbridos com plug-in. A parcela que quer um carro com motorização exclusivamente a combustão interna é de apenas 23,71%. É verdade que a pesquisa não tocou na questão do preço, que ainda inviabiliza a compra dos modelos elétricos ou híbridos no país. No entanto, o desejo pela novidade está claro.

E fica mais impressionante quando os consumidores foram questionados sobre o desejo de ter veículos elétricos à disposição para compra no país. Nada menos que 90,44% responderam que sim.

Ainda de acordo com a pesquisa, é exatamente uma futura oferta de carros elétricos com todas as suas inovações nas mesmas condições dos veículos atuais que pode representar um favor de reversão da tendência de adesão dos brasileiros às soluções de mobilidade agora em curso.