Setor automotivo perde relevância e busca previsibilidade para voltar a crescer

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Gábor Deák trouxe mais detalhes sobre as discussões em torno do novo regime automotivo

Rota 2030 deve criar condições de flexibilidade para que indústria seja capaz de reorientar estratégias a cada cinco anos a fim de se adequar às novas demandas

Claudio Milan

claudio@novomeio.com.br

Em 2008 o setor automotivo brasileiro representava quase 7% do PIB; agora, o índice caiu para 4%. Os dados foram apresentados por Gábor Deák, Conselheiro do Sindipeças, no 5º Fórum IQA da Qualidade Automotiva, realizado em 9 de outubro em São Paulo. Segundo o executivo, do momento em que se instalou definitivamente a crise econômica no país, em 2013, até 2016, foram perdidos 94 mil empregos, sendo muitos no setor de autopeças.

Agora que o setor começa a se reerguer, uma das principais demandas das indústrias é a previsibilidade. “Nada de decisões intempestivas, para as quais você não tenha tido oportunidade de se preparar. Entender o que vem vindo pela frente, negociar os caminhos”, cobrou o executivo. “Previsibilidade é olhar um horizonte de 15 anos, até 2032, em ciclos de, por exemplo, 5 anos, mas não de uma forma fixa, não tentar definir hoje aonde nós vamos chegar em 2032, mas sim dizer quais são as etapas que nós vamos cumprir com flexibilidade para a cada 5 ou 10 anos e poder rever isso. Mas é preciso ter tempo hábil para fazer as correções necessárias”.

Outra necessidade urgente, na visão de Deák, é viabilizar o crescimento das exportações. “Não existe mercado interno competitivo que não seja competitivo também internacionalmente. Nós precisamos de alguma forma de, ao invés de dificultar as importações, colocar nossa indústria, nossos negócios e nossos relacionamentos no mesmo patamar internacional. Nós já fomos grandes exportadores, passamos por uma época em que fomos fundamentalmente introvertidos, e agora estamos voltando a ser exportadores. Isso é extremamente importante”. De acordo com o executivo, para que isso aconteça é fundamental que os produtos brasileiros estejam em total sintonia com as exigências dos mercados externos. “A gente procura uma inserção no mercado mundial, isso vai gerar volumes, vai gerar a garantia de que teremos tecnologia equivalente, vai gerar uma proteção para nosso mercado propriamente dito, a partir de custos e tecnologia, e para isso nós acabamos entendendo que os assuntos são desenvolvimento de fornecedores, eficiências de gestão, eficiência tributária e redução de burocracias, que são fatores de proteção para, de alguma forma, tentar desmontar o custo Brasil”.

SETOR AUTOMOTIVO: VITAL PARA ECONOMIA BRASILEIRA

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