Questões macro envolvendo economia em destaque no canal direto entre varejistas e Sincopeças

Por Lucas Torres

Por se tratar de uma nação com território continental e dona de uma enorme multiplicidade cultural, o Brasil possui dinâmicas de negócios muito particulares a cada uma de suas regiões.

Dentro desse cenário, o intercâmbio entre diferentes localidades acaba sendo sempre muito rico e proveitoso para os envolvidos na medida em que acrescenta diferentes perspectivas e experiências àquelas já adquiridas pelo gestor no cotidiano de seu ‘habitat natural’.

A fim de explorar essa particularidade, a reportagem do Novo Varejo convidou varejistas fixados na região nordeste do país a enviarem seus questionamentos para que fossem respondidos pelo presidente do Sincopeças-SP e vice-presidente do Sincopeças-BR, Francisco De La Tôrre, em mais uma edição da série ‘Fale com o Sincopeças Brasil’. O canal está aberto permanentemente aos varejistas de autopeças. Trata-se de uma oportunidade de ter suas dúvidas respondidas pela entidade nacional de representação do varejo.

Empresários com atuação em uma das regiões com maior pujança no segmento de autopeças e dona de particularidades como o fato da maioria dos varejos locais agregarem serviços de instalação de peças e acessórios à venda dos produtos, André Magalhães, da Autopeças Campina Grande, de Fortaleza (CE), e Afonsina Costa, da AutoTrack de Juazeiro do Norte (CE), demonstraram suas preocupações com os assuntos macro do país, em especial a questão da economia, que vem sofrendo com crises ininterruptas desde meados do ano de 2014.

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Afonsina Costa, da AutoTrack de Juazeiro do Norte (CE)

Como as empresas do sudeste estão lidando para superar esse período contínuo de crise na nossa economia?

Francisco De La Tôrre – Não gostaria de usar a expressão “crise contínua”, mas estamos enfrentando dificuldades desde 2014 com a maior crise econômica da história da República. De lá para cá, muitas reformas importantes vêm sendo implementadas, mas o grande desafio do Brasil é mudar a matriz de crescimento baseada no consumo – que norteou o crescimento do país durante os 14 anos do governo do PT – para uma matriz de crescimento baseada no investimento. Para que esses investimentos possam se viabilizar e ter sustentabilidade são necessárias mudanças tanto na legislação quanto em muitos marcos legais e isso vem sendo feito na velocidade que a estrutura política do País permite. Então, para que essas mudanças sejam implementadas demanda muita negociação junto ao Congresso, junto à sociedade e isso demora. Isso vem sendo feito, porém, os efeitos práticos dessas mudanças não são imediatos, demandam tempo e neste ínterim as lojas estão sendo obrigadas a sobreviver. Vale destacar que as próprias empresas, especificamente do setor varejista de autopeças, vêm implementando mudanças na sua gestão, na forma de conduzir o seu negócio, investindo em inteligência e incrementando vendas por internet. Apesar das dificuldades, as empresas estão aproveitando essa dura realidade ora apresentada para melhorar o seu negócio, melhorar a sua gestão e, assim que a economia começar a retomar, aquelas que sobreviverem estarão perfeitamente aptas e prontas para assistir um longo período de crescimento com rentabilidade, eficiência, pessoal treinado e consolidadas.

André Magalhães, da Autopeças Campina Grande, de Fortaleza (CE)

Que benefício mais significativo poderemos ter com a Reforma Tributária?

Francisco De La Tôrre – A Reforma Tributária que está se apresentando não vai diminuir a quantidade de impostos que as empresas pagam, mas trará, primeiro, a segurança jurídica porque hoje nem sabemos se os impostos que estamos apurando estão de acordo com aquilo que a Receita entende que seja o valor devido pelas empresas. A complexidade do nosso sistema tributário gera muitas dúvidas por parte do contribuinte e essas dúvidas acabam gerando insegurança jurídica. Em segundo lugar, que também é importante, gastar-se-á muito menos hora trabalhada para apurar o imposto devido. Calcula-se que o custo de apuração dos impostos no Brasil toma 1,6% do nosso PIB. É um número absurdo, que não existe em país algum. Vale destacar que no Brasil uma empresa média gasta aproximadamente 1.600 horas por ano para apurar os impostos devidos enquanto uma empresa do mesmo porte na Alemanha, por exemplo, gasta 176 horas, com a vantagem de que não há toda essa insegurança jurídica devido à complexidade das apurações. Portanto, os efeitos imediatos da Reforma Tributária são justamente a redução da hora trabalhada e a segurança jurídica.

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