Propósito é a nova revolução no varejo

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                                Para Michael Poynor, propósito significa ter uma visão “panorâmica” das coisas

Grande destaque do LATAM Retail Show 2017, o termo “propósito” foi exaustivamente destrinchado a cada uma das palestras e superou outros conceitos da moda como omni-channel e big data.

Isso se deu porque, segundo os especialistas, questões mais operacionais e ferramentas estratégicas como omni-channel e big data são apenas meio para a grande finalidade, que é o cumprimento do propósito da empresa.

Mas o que é, de fato, propósito? No ano de 2011, o publicitário estadunidense Joey Reiman definiu o termo como um modo único e autêntico pelo qual sua empresa fará diferença no mundo. “Uma empresa com propósito não pensa apenas em seus clientes, mas também em seus funcionários, colaboradores e na sociedade. Uma pergunta que sempre fazemos aos clientes é: o que o mundo perderia caso sua empresa deixasse de existir?”.

Para exemplificar a definição, Reiman citou uma das maiores fabricantes de assentos infantis e carrinhos de bebês do mundo, a Graco. “Antes, quando ela se limitava a fabricar e vender seus carrinhos, faturava 450 milhões de dólares. Hoje, com o propósito de ajudar os pais a criar melhor seus filhos, o faturamento mais que dobrou, para 1,3 bilhão de dólares”.

Ter um propósito, então, significa mudar o tão dito “foco no consumidor” para um foco autocentrado? Nada disso.

Para o inglês e expert em varejo Michael Poynor, propósito significa ter uma visão “panorâmica” das coisas. Ou seja, do mesmo modo que o consumidor não mais vê o mundo de maneira fragmentada, o varejista tem de ver sociedade-comércio-experiência do cliente como uma coisa só. Mas como fazê-lo? Poynor explica. “A empresa precisa, antes de tudo, saber o seu lugar no mundo. Além de vender e lucrar, o que é importante para ela? Não precisa ser algo grandioso, se trata apenas de ter uma conexão com a sociedade para além do consumo-pelo-consumo, ou ainda além da necessidade de consumo”.