Porsche apresenta primeiro modelo totalmente elétrico

Por Claudio Milan

A tendência irreversivel da eletrificação chegou ao terreno sagrado dos ícones da esportividade. Se no passado alguém dissesse que teríamos um Porsche totalmente elétrico, provavelmente teria sua internação em hospício recomendada pelos puristas da marca.

Mas a realidade hoje é outra. E o novíssimo Taycan é prova disso. Apresentado simultaneamente em três continentes neste mês de setembro após um período de grande expectativa, o esportivo sintoniza a longa tradição da casa de Stuttgart com as exigências de um futuro sustentável e mais limpo. É o que diz Oliver Blume, presidente do Conselho Executivo da Porsche AG. “O dia de hoje dá início a uma nova era. O Taycan conecta nossa tradição com o futuro. Ele leva adiante a história de sucesso de nossa marca, que vem fascinando e emocionando gente em todo o mundo há mais de 70 anos”.

O novo Porsche é um sedã esportivo de quatro portas que oferece a seus felizes proprietários o cobiçado desempenho e a conectividade da marca com praticidade para o uso diário. Ao mesmo tempo, segundo a fabricante, os métodos de produção e os componentes avançados do Taycan estabelecem novos parâmetros nos campos da sustentabilidade e da digitalização.

O carro chega inicialmente em duas versões: Turbo S e Turbo. A primeira representa o topo da linha e desenvolve potência de até espantosos 560 kW (761 cv) com overboost e em combinação com o sistema Launch Control. Já o Taycan Turbo entrega até 500 kW (680 cv). O Turbo S acelera de 0 a 100 km/h em 2,8 segundos, enquanto o Taycan Turbo chega à mesma velocidade em 3,2 segundos. O Turbo S tem uma autonomia de até 412 quilômetros e o Turbo pode rodar até 450 quilometros com uma carga da bateria (segundo a norma WLTP, nos dois casos). A velocidade máxima de ambos os modelos, que têm tração nas quatro rodas, é 260 km/h. Se você achou a cavalaria exagerada, não fique triste. Versões menos potentes serão lançadas até o fim do ano.

O Taycan é o primeiro veiculo de produção com um sistema com 800 volts, em lugar dos costumeiros 400 volts dos carros elétricos. Esta é uma vantagem especial para quem dirige na estrada: em pouco mais de cinco minutos, a bateria pode ser recarregada usando corrente contínua (CC) provida por uma rede de carga de alta potência, para obtenção de autonomia de até 100 quilômetros (norma WLTP). Em condições ideais, o tempo de recarga para atingir 80% de estado de carga (SoC) é 22,5 minutos e a potência máxima de carga (pico) é de 270 kW. A capacidade total da Performance Battery Plus é de 93,4 kWh. Os usuários do Taycan podem recarregar seus carros confortavelmente em casa com até 11 kW de corrente alternada (CA).

Custando na Europa entre 152 mil e 185 mil euros – algo entre 690 mil e 841 mil reais – o Porsche Taycan desembarca no Brasil em 2020. E como somos uma nação muito rica, certamente aqui esses preços subirão na mesma velocidade com que o carro atinge os 100 km/h.

Motores inovadores e uma transmissão com duas velocidades

O Taycan Turbo S e o Taycan Turbo contam com dois motores elétricos, um no eixo dianteiro e outro no traseiro. Essa configuração proporciona ao carro, portanto, tração nas quatro rodas. Cada motor elétrico, transmissão e inversor controlado por pulso é combinado num compacto módulo de impulsão. Segundo informa a Porsche, os módulos proporcionam a maior densidade de potência (kW por litro de espaço ocupado) de todos os trens de força disponíveis atualmente no mercado.

Uma característica dos motores elétricos do Taycan é o enrolamento em forma de grampo das bobinas do estator. Essa tecnologia possibilita incorporar mais cobre ao estator, aumentando a potência e o torque resultantes, mantendo o mesmo volume do componente. A transmissão de duas velocidades instalada no eixo traseiro é uma inovação desenvolvida pela Porsche. A primeira marcha proporciona ao Taycan aceleração ainda maior a partir da imobilidade, enquanto a segunda, com uma relação mais elevada, assegura eficiência e reservas de potência igualmente elevadas. Isso também se aplica a velocidades muito altas.

Sistemas de chassi com rede centralizada

A Porsche utiliza um sistema de controle com interligação centralizada para o chassi do Taycan. O sistema integrado Porsche 4D-Chassis Control (Controle de Chassi 4D) analisa e sincroniza todos os sistemas de chassi em tempo real. As inovações incluem a suspensão pneumática adaptativa com tecnologia de três câmaras, incluindo o controle eletrônico dos amortecedores PASM (Porsche Active Suspension Management – Gerenciamento Ativo da Suspensão), assim como o sistema eletromecânico de estabilização de rolagem Controle Dinâmico Executivo do Chassi (PDCC Sport – Porsche Dynamic Chassis Control Sport), incluindo o Vetoreamento de Torque Plus (PTV Plus). O controle da tração integral com dois motores elétricos e o sistema de recuperação de energia é único. A até 265 kW, a recuperação potencial de energia é significativamente maior do que a dos concorrentes. Testes de rodagem revelaram que aproximadamente 90% das frenagens no dia a dia são realizadas somente pelos motores elétricos, sem que os freios hidráulicos nas rodas tenham sido ativados.

O perfil dos diferentes modos de condução segue basicamente a mesma filosofia utilizada em outras linhas da Porsche. Eles são suplementados por ajustes especiais que permitem a utilização otimizada da propulsão exclusivamente elétrica. Quatro modos de condução estão disponíveis: “Range” (alcance), “Normal”, “Sport” e “Sport Plus”. Além disso, os sistemas individuais podem ser configurados conforme desejado no modo “Individual”.

Novas funcionalidades no painel digital

Digital, funcional e sustentável. Assim a Porsche define o interior do Taycan. Quem visitou o último Salão do Automóvel, realizado ano passado em São Paulo, viu de perto a quantas anda o rápido processo de digitalização do ambiente interno dos automóveis. Naturalmente, tal evolução começa pelos modelos das marcas mais icônicas – como a própria Porsche. Mas, na velocidade em que a conectividade e a digitalização caminham no setor, muito do que se vê hoje no topo das pirâmides em breve estará à disposição também dos simples mortais.

Nesse sentido, o Taycan é um referencial muito interessante. O quadro de instrumentos independente e curvado é o ponto de maior destaque do painel. Uma tela central de informação e entretenimento com 10,9 polegadas e um mostrador opcional para o passageiro são combinados para formar uma faixa de vidro integrada com visual preto. Todas as interfaces com o usuário foram totalmente redesenhadas para o Taycan.

O número de controles físicos tradicionais, como interruptores e botões, foi bastante reduzido. Por isso, o controle é inteligente e intuitivo, utilizando operação por toque ou a função de controle por voz, que responde ao comando “Hey Porsche”.

Com o Taycan, a Porsche está oferecendo pela primeira vez um interior totalmente sem uso de couro.

O condutor pode escolher entre quatro configurações de mostradores para o conjunto de instrumento:

  • Modo clássico (medidor de potência), evocando os instrumentos redondos típicos da Porsche. Esse mostrador passa informações claramente organizadas, permitindo rápida leitura. Um medidor de potência substitui o conta-giros como instrumento central.
  • Map mode substitui o medidor de potência central por um mapa.
  • Full Map mode elimina intencionalmente os instrumentos redondos em favor de um mapa de navegação que ocupa todo o display.
  • O modo Pure mostra apenas informações de condução essenciais, como a velocidade, sinais de trânsito e navegação usando uma seta minimalista.

Também há pequenos campos de controle por toque nas margens da tela, para operar as luzes e funções do chassi. Assim, o quadro de instrumentos é mais largo do que o volante e relembra o do icônico 911 original – modelo clássico de uma época romântica que na indústria automobilística não volta mais.