Movimentos apontam necessidade de reinvenção do varejo

Por Lucas Torres

Presidente do Sincopeças de São Paulo e vice-presidente do Sincopeças Brasil, Francisco De La Tôrre entende que o processo de aproximação das indústrias com o reparador e até com o consumidor final é um chamado para a reinvenção do varejo de autopeças tradicional.

Novo Varejo – Como representante do varejo, qual sua avaliação sobre o fato de indústrias estarem aumentando sua aproximação dos públicos que consomem autopeças no final da cadeia? Qual é a mensagem que o lançamento de uma plataforma de venda direta como o app da Ford transmite ao mercado independente?

Francisco De La Tôrre – O desenvolvimento da tecnologia digital tem favorecido que o princípio da destruição criativa do capitalismo se faça a todo momento, com uma velocidade nunca antes vista na história do desenvolvimento humano. Portanto, é importante que o varejista enxergue esse movimento não como uma ameaça, mas como uma oportunidade para reinventar a sua forma de ação e de comunicação com o seu cliente. Para se reinventar, o varejista deve utilizar todas essa ferramentas tecnológicas dentro do seu negócio porque, até então, o varejo tradicional conversa e atende o público que está no seu entorno. Com essas ferramentas, ele pode atender e conversar com o mundo. Ou seja, da mesma forma que ele tem muito mais concorrentes hoje no seu entorno, ele também passa a usufruir de um mercado consumidor planetário; assim como se multiplica a concorrência perto dele, também se multiplica o seu mercado.

NV – Você acredita que a internet de alguma maneira, tem reconfigurado – e seguirá reconfigurando – as relações dentro da cadeia de reposição automotiva?

FDLT – O desenvolvimento tecnológico que assistiremos nos próximos 20 anos será maior do que o mundo desenvolveu nos últimos 100 anos. Portanto, as relações continuarão se reconfigurando não apenas dentro da cadeia, mas dentro da sociedade, na forma como ela se relaciona com os governos e com os mercados e vice-versa. A partir de 2023 já teremos tecnologia suficiente para o carro autônomo e nos próximos 10 anos já teremos cidades inteligentes e veículos conversando com informações provenientes do trânsito dessas cidades; enfim, não apenas a internet, mas a tecnologia digital irá reconfigurar, numa velocidade enorme, os próximos anos das nossas vidas.

NV – Como o varejo pode responder a esse cenário de mudanças? É preciso ampliar o portfólio de oferta, agregando, por exemplo, instalação de peças e até reparação de veículos?

FDLT – É mister que o varejo se reinvente. Não dá mais para ficar limitado a fazer negócios como foram feitos até há poucos anos. Da mesma forma que outras empresas atuam muito mais intensamente no entorno do seu negócio – que era a configuração do varejo tradicional – o varejo tem também a oportunidade de conversar com consumidores do mundo inteiro e fornecer produtos e serviços para o mundo inteiro. É importante também que o varejo entenda que, enquanto ponto físico de venda, tem que proporcionar a experiência do consumo porque, mais do que adquirir produtos, o novo consumidor, esse jovem da geração Z, gosta de vivenciar experiências. É importante que o varejista tenha a preocupação de tornar seu ponto de venda uma experiência de consumo e é importante que esse varejista converse e entenda as necessidades de quem compra dele, de quem clica no site da sua loja – e o que motivou esse cliente a clicar – para que ele possa atender às expectativas desse consumidor que não está mais circunscrito apenas ao seu entorno.