Metade dos consumidores pretende comprar carro novo nos próximos 2 anos

Por Claudio Milan

Quem apostar que o interesse pela posse do veículo vai diminuir até sumir sairá perdendo. Foi o que disse Ricardo Bacellar, head of Automotive da consultoria KPMG, em sua participação no 7º Fórum IQA da Qualidade Automotiva, ressaltando ainda que o cenário não permite que “se aposte em um cavalo só”. O executivo apresentou no evento dados do estudo Global Automotive Executive Survey 2019, que este ano traz também um capítulo específico sobre o Brasil.

O estudo ratifica o que foi dito ao longo do Fórum e que mereceu a manchete desta edição do Novo Varejo: o desafio da indústria automotiva em “reposicionar sua estratégia de negócio, migrando do tradicional modelo product centric, no qual exercia o papel protagonista de decidir por si só o perfil dos seus produtos, para o modelo customer centric, no qual os consumidores, cada vez mais empoderados e esclarecidos, assumem a figura de indutores/coautores dos movimentos do mercado”.

O estudo apurou que metade dos consumidores deseja comprar um veículo zero quilômetro em até dois anos – e essa intenção é mais nítida entre aqueles com mais de 51 anos de idade, ou seja, um público acostumado a ter o próprio carro.

Mas, ao mesmo tempo em que metade dos consumidores ainda planeja a compra do carro novo, outros tantos estão abertos às inovações que vêm se resumindo a uma única palavra: “mobilidade”. E essa transformação tem forte potencial de revolução no mercado de manutenção automotiva. Mas, segundo Bacellar, um eventual “potencial interesse menor na posse de veículo é inversamente proporcional à oferta de serviços de mobilidade. Quem vai pensar em deixar de ter carro se não há serviço de mobilidade? Quando a gente pensa no país inteiro, vemos que é preciso ser um pouco prudente com relação a essas informações”.

Por tudo isso, é muito importante conhecer da forma mais abrangente possível os desejos e as necessidades dos consumidores – e é exatamente nesse caminho que seguiu a pesquisa realizada pela KPMG no Brasil.

A pergunta crucial a ser respondida é uma só: o brasileiro está disposto a trocar a posse de um carro pelo serviço de mobilidade? Uma das conclusões da pesquisa é que, segundo os executivos do setor automotivo, este é um processo ainda embrionário, mas que pode crescer ao longo dos próximos anos; e a de que a resposta do público dependeria da oferta de alternativas de mobilidade na região de moradia. Este segundo fator está alinhado também com o que pensam os consumidores, para quem a relação entre posse de veículo e oferta de alternativas de mobilidade na região de moradia foi apontada por mais de 40% dos consultados, enquanto aproximadamente 32% mencionou que se trata de uma hipótese embrionária e com potencial para crescer.

Confira os dados da pesquisa: