Mercado dos EUA tem crescimento contínuo e aposta em e-commerce e marcas próprias

Por Claudio Milan

Os números são superlativos, compatíveis com a maior economia do mundo: 400 bilhões de dólares em faturamento, 4,7 milhões de empregos diretos, mais de 500 mil empresas e uma frota circulante que se aproxima dos 290 milhões de veículos – são mais carros que motoristas. O mercado de reposição dos Estados Unidos é um exemplo de prosperidade e oferece valiosas referências para os gestores brasileiros – ainda que seja quase um consenso que nosso aftermarket tem e continuará tendo um modelo operacional próprio.

Respaldado por um trabalho que já ultrapassa os 20 anos no monitoramento do mercado norte-americano de manutenção, o executivo Steve Flavin, presidente da unidade Automotiva do NPD Group nos Estados Unidos, participou da edição 2019 do Seminário da Reposição Automotiva. Ele apresentou fatores que respaldam a força do aftermarket local. “A rodagem acumulada dos carros vem crescendo, nós temos uma baixa taxa de desemprego, uma economia forte e preços estáveis de combustível”. Dito isto, o executivo destacou que, no entanto, uma leve desaceleração tem sido observada. “Nós estamos monitorando isso, há fatores macro nos Estados Unidos que podem ser uma ameaça ao uso do carro, como a NetFlix ou a Amazon, às vezes as pessoas até trabalham mais em casa, então há muitas tendências novas que estamos acompanhando”.

A NPD recolhe dados semanais de itens que são vendidos em mais de 50 cadeias de varejos no país. “Isso representa um grande número de lojas. Há nomes como AutoZone, O’Reilly, Walmart, Pep Boys, Advance e muitos outros. Nós monitoramos as vendas de 100 mil lojas”. Uma das características marcantes da reposição no país é o crescimento contínuo, seja nos tempos de economia saudável, seja em momentos de instabilidade. Desde 1998, o mercado de reposição só cresceu nos Estados Unidos – a única exceção ocorreu em 2009, ano do pico da crise provocada pela explosão da bolha imobiliária que teve impacto global. “Em tempos de economia sólida o desempenho do mercado é bom e quando há crises fica mais forte porque as pessoas deixam de trocar de carro e precisam fazer manutenção. Eventos climáticos também interferem nas vendas de componentes”, disse Flavin. A idade média da frota, hoje, é de 11 anos e 6 meses. Há um processo de envelhecimento, o que também favorece o aftermarket.

Com uma conjuntura tão positiva, a visão do executivo só poderia ser otimista. “Eu trabalho no aftermarket há muito tempo, comecei a vender fluidos anticongelantes há 33 anos quando saí da faculdade, tenho muito orgulho dessa indústria”.