Inovação é requisito para indústria de autopeças crescer

Por Claudio Milan

Reportagem publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo em 1º de outubro trouxe uma informação preocupante: o Brasil corre o risco de sair do ranking dos dez países mais industrializados do mundo. Segundo a matéria, ao mesmo tempo em que a produção industrial cresceu 10% no planeta desde 2014, a atividade nas fábricas brasileiras caiu 15% no mesmo período. Ainda de acordo com o texto, em 2019 a participação da indústria no Produto Interno Bruto deve ficar na casa dos 11%, o menor índice desde 1947.

O processo de desindustrialização do país não é recente e decorre de diversos fatores. Um deles é a falta de competitividade do setor e a consequente substituição de produtos nacionais por similares importados. No caso do setor automotivo, essa tendência pode ser tornar ainda mais grave caso nossas empresas não estejam preparadas para o fornecimento aos cada vez mais complexos veículos fabricados e comercializados no país. “A gente tem defendido que agora nós temos um pilar muito importante que é a inovação, sem a qual nós não vamos atingir nossos objetivos”, expôs Dan Ioschpe, presidente do Sindipeças, em sua apresentação no 7º Fórum IQA da Qualidade Automotiva.

A balança comercial deficitária já é um dos reflexos dessa conjuntura. O saldo negativo previsto para este ano é de 4 bilhões de dólares. Ainda que uma parte desse resultado esteja associada à redução nas exportações de veículos, especialmente para a Argentina, a importação também exerce peso. “Isso demonstra que de fato nesta gama de produtos o conteúdo local é bastante reduzido em relação ao conteúdo dos veículos comercializados no Brasil. Segue nosso desafio de acelerar a introdução de autopeças nos novos veículos que são lançados no mercado brasileiro. Daí mais uma vez a necessidade de realizar a inovação no Brasil para que a gente não fique atrasado neste ciclo”, destacou Dan Ioschpe.

Neste sentido, o programa Rota 2030 se mostra um importante fator de alavancagem para as inovações visto que um de seus principais pilares é o incentivo a pesquisa e desenvolvimento no setor de autopeças e sistemas automotivos. “É um programa alinhado com o que há de mais moderno no mundo. E que se tenham regras claras: o que se espera da indústria em termos de eficiência energética, emissões, conectividade e segurança por um período mais longo”, cobrou Ioschpe.

Marcus Vinícius Aguiar, vice-presidente da Anfavea, também participou do Fórum e avaliou que o aumento dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento para alavancar os projetos é o grande benefício do Rota 2030 para as indústrias nacionais. “Este ano, os grupos de trabalho no Ministério já começam a definir quais projetos de P&D vão ser escolhidos. Cada montadora e sistemistas vai apresentar seus projetos. É isso que vai proporcionar a sustentabilidade do setor no médio e longo prazo. Sem isso a gente vai ser um mero importador de tecnologia. É importante que os fornecedores se habilitem porque o dinheiro está aí”.

Até o momento, 43 empresas já se habilitaram para o Rota 2030, sendo 11 montadoras, 30 indústrias de autopeças, sistemas e componentes e 2 fabricantes de pneus.