Indústrias e sistemistas criam seus canais digitais de comercialização

Por Lucas Torres

Fabricantes já estabelecidos no mercado de reposição, como a Delphi Technologies, começam a marcar presença em plataformas digitais, com canais credenciados de comercialização de suas peças.

No último mês de abril, durante a edição de 2019 da Automec, a empresa anunciou sua entrada no marketplace Mercado Livre tendo como principal objetivo passar a oferecer maior segurança para o cliente, como afirma a supervisora de Comunicação e Marca para a América do Sul da Delphi Technologies, Camila Rocha.

“Nos últimos anos, percebemos a crescente participação de mercado das vendas online e, infelizmente, com isso cresceram também as vendas de produtos falsos na internet. Preocupados com quem compra o nosso produto, decidimos criar uma loja oficial e incluir parceiros em quem confiamos e conhecemos a procedência dos produtos, para garantir sempre a melhor qualidade”.

Quando Camila cita “parceiros em quem confiamos” ela se refere a varejistas e distribuidores com credibilidade no mercado, o que demonstra que, apesar da indústria estar olhando com mais ‘carinho’ para a relação direta com o consumidor final, ela ainda preserva a dinâmica clássica da cadeia de reposição: a indústria produz, o distribuidor se encarrega da logística, o varejo vende e o reparador aplica.

Para a executiva, essa dinâmica segue sendo fundamental para a qualidade da cadeia já que é do varejo a expertise necessária para concluir e atender vendas online.

“Contar com distribuidores e varejistas estrategicamente posicionados é uma vantagem para qualquer vendedor e ainda um meio importante de fazer o produto alcançar todos os tipos de público”, conclui.

A boa notícia para o varejo é que, assim como a Delphi Technologies, outros importantes players do setor têm incluído o segmento em suas investidas na criação de canais online voltados à venda de peças e maior proximidade com o consumidor final.

De acordo com Leandro Ribeiro, Head de Negócios Digitais da Autopartners, marcas como Fras-le, Nakata, MTE, SKF e Cofap desenvolveram sites específicos para disponibilizar todos seus produtos de forma padronizada para consulta e venda – sempre em parceria com revendedores selecionados.

“A princípio a indústria tem buscado formas de compreender e planejar o início nesse modelo de negócio envolvendo a cadeia tradicional. Na grande maioria dos casos, buscam soluções técnicas e ferramentas para que esse envolvimento seja possível, pois existem plataformas, funcionalidades e integrações específicas para esse formato de atuação”, analisa Ribeiro.

Nesse contexto de manutenção do protagonismo do varejo como executor das vendas, o Head da Autopartners afirma que, ao contrário de uma ameaça, o fato da indústria estar buscando formas de se inserir na internet deve ser visto como uma oportunidade para o segmento. “O varejo que estiver preparado será o grande beneficiário desse movimento”, conclui.