Falta de competitividade é obstáculo no caminho do crescimento sustentável

Por Claudio Milan

Em sua apresentação no Fórum IQA da Qualidade Automotiva, o vice-presidente da Anfavea, Marcus Vinícius Aguiar, contou que recentemente a associação que reúne as montadoras fez um estudo de competitividade entre os veículos brasileiros e os mexicanos.

“Apuramos que um veículo mexicano colocado no Brasil ainda é 9% mais competitivo do que o mesmo veículo fabricado aqui”, lamentou o executivo. “Nós precisamos ser mais competitivos, a Anfavea vem pressionando o governo. Precisamos ganhar competitividade nos custos de logística, tributários, de matéria prima e mão de obra. Hoje é muito mais barato trazer um carro de países como México e Colômbia para o norte e nordeste do Brasil do que enviar para o Rio Grande do Sul um veículo fabricado no nordeste”, lamentou.

Dan Ioschpe, do Sindipeças, acrescentou que é preciso esclarecer a sociedade sobre o que ocorre no setor. “Em geral, os maiores entraves para nossa competitividade não estão da fábrica para dentro, estão na sociedade e na economia brasileira como um todo, são de natureza horizontal e afetam qualquer setor”.

Entre os problemas genuinamente brasileiros, Ioschpe citou questões como segurança patrimonial e guardas armados em todas as portarias 24 hora por dia, necessidade que não existe em diversos outros países. “Isso é um custo numa indústria de margens muito apertadas e não é um item de solução setorial, nós não vamos resolver, é uma questão nacional. Da mesma forma que estradas que destroem produtos na entrada ou na saída das fábricas, roubo de carga – e, portanto, apólices de seguro muito elevadas –, além de entraves tradicionais, como a questão tributária”.

Marcus Vinícius Aguiar destacou, finalmente, que o ganho de competitividade é uma questão urgente, visto que o Brasil negocia acordos comerciais que podem abrir ainda mais nossas fronteiras para o mundo. “Fora o acordo com o Mercosul e a União Europeia, o governo brasileiro já está em entendimentos com Canadá, Coreia do Sul e Japão. Também se fala em Estados Unidos. Nosso governo quer abrir tudo para todo mundo. Do jeito que a coisa está caminhando, nós vamos sofrer ataques do mundo inteiro. O gargalo é muito grande. É importante que a gente prepare o setor”.