Setor automotivo atende metade de quesitos para transformação digital

Por Redação Novo Meio

As novas tecnologias estão no olho do furacão que vai levar – já está levando… – o setor automotivo a uma disruptura sem precedentes. Porém, ao mesmo tempo em que veículos que circulam sem motoristas já estão próximos da realidade, as empresas propriamente ditas ainda enfrentam desafios concretos para a criação de estratégias capazes de promover a transformação digital.

A conclusão é do recém-lançado ICTd – Índice CESAR de Transformação Digital. O CESAR é um importante centro de inovação sediado em Recife (PE). A instituição, sem fins lucrativos, foi fundada em 1996 e faz parte do Porto Digital pernambucano, um dos maiores parques tecnológicos do país do qual fazem parte mais de 300 empresas do segmento de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC). O CESAR possui unidades também em Sorocaba (SP), Curitiba (PR) e Manaus (AM).

De acordo com o ICTd, numa escala de zero a 100, as empresas do setor automotivo marcam 57,34 pontos, ou seja, atendem a 57,34% dos quesitos necessários para a transformação digital. Para chegar a essa média, foram avaliados o nível de maturidade das empresas a partir de oito eixos: Cultura & Pessoas, Consumidores, Concorrentes, Inovação, Processos, Modelo de Negócios, Dados & Ambiente Regulatório e Tecnologia Habilitadoras. Destes, o mais maduro no setor automotivo é o eixo de Modelo de Negócios (61,58), seguido por Consumidores (61,05). Já os eixos que estão mais distantes da transformação digital são Tecnologias (52,96) e Inovação (54,37).

O CESAR define Transformação Digital como destruição criativa, em rede, dos modelos de negócios tradicionais provocada pela maturidade das plataformas digitais. “Há incorporações tecnológicas importantes no produto, no entanto estas empresas não mudaram a forma como inovam, como trabalham com seus consumidores, como competem entre si e com outros setores. Tanto é que estão sendo atacadas pelo setor de transporte via apps, como Uber e 99’’, destaca o CDO – Chief Designer Officer do CESAR, Eduardo Peixoto. O estudo mostra ainda que apenas 37,36% das empresas brasileiras do setor automotivo estão se preparando para lidar com essa nova realidade. A maioria, no entanto, sequer deu os primeiros passos nessa direção.

A pesquisa foi realizada pelo CESAR em parceria com a Automotive Business entre os meses de abril e junho de 2019 e abrangeu 138 empresas do setor automotivo de todo o país.

Um longo caminho a percorrer

Que os empresários estão cientes da necessidade de transformar digitalmente seus negócios, não há dúvida. Porém, o processo ainda parece incipiente diante das demandas que se avolumam.

A pesquisa do CESAR apurou que 65.70% das empresas que responderam ao estudo admitem que estão longe de serem digitalmente transformadas. O lado bom é que, segundo a avaliação dos pesquisadores, isso mostra que a grande maioria delas está consciente da urgência do tema. Todavia, apenas 37,36% das empresas estão fazendo alguma coisa para lidar com essa situação. E mais: 45% ainda não iniciaram ações ou estão se preparando; e 16,82% ainda acreditam ou que Transformação Digital não seja uma prioridade ou que ela não impactará o seu negócio.

Futuro promissor para quem controlar a interface digital com o consumidor

O setor automotivo vivencia hoje um paradoxo interessante em que o real e o virtual se confundem. Cada vez mais, o produto perde espaço para o serviço e a experiência que ele proporciona. Antes, escolhíamos um carro pela marca. Agora, queremos apenas chegar ao destino. “Na interface digital escolhemos quem vai nos transportar. Tanto faz qual é a marca do produto que irá nos servir, pois não temos relação de longo prazo com o objeto que nos transporta. O que interessa é a experiência, o serviço. Interessa se o veículo é limpo. Se o veículo é pequeno, médio ou grande atende à necessidade imediata. Interessa se o motorista é educado”, destaca o relatório da pesquisa.

No setor automotivo, hoje surgem empresas como Uber e 99 Taxi, que até pouco tempo atrás não existiam. “Empresas sem ativos (físicos), baseadas em plataformas digitais, que capturaram a interface com o consumidor e coletam grande parte do valor do serviço de transporte”, prossegue o relatório.

De acordo com as conclusões do estudo do CESAR, enquanto o setor automotivo investe pesado em tecnologia para o produto e continua a dialogar com os consumidores através da marca e dos canais usuais, quem domina a interface (digital) com o consumidor aposta na experiência.

Em um cenário em que os consumidores têm o controle do mundo na palma da mão e conseguem o que precisam sob demanda e a experiência passa a valer mais do que a posse, quem controlar a interface (digital) com o consumidor controlará a experiência e o futuro. “Em um contexto extremo, quem entregar a experiência será quem vai desenhar o produto que será usado para prestar tal experiência, e possivelmente definirá os volumes de produção”.