Empresários do varejo propõem alternativas para aumentar vendas a prazo

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“O varejo nunca é beneficiado com linhas de crédito subsidiadas, como acontece com grandes empresas, através do BNDES, para capital de giro; aparecerem esporadicamente oportunidades para investimentos em equipamentos, informática, veículos, mas não para capital de giro. O caminho é vender parcelado no cartão, pois é recebimento certo, e tentar uma boa taxa de desconto junto às operadoras de cartão. Mas para o varejista isoladamente isso é quase impossível, é preciso se fortalecer através de associações, sindicatos e cooperativas de crédito para ganhar poder de negociação. A associação das indústrias poderia pressionar os grandes bancos para tentar algo em favor do setor varejista”.

Renato Passaglia, da Bom Preço

 

“Há um engano no conceito de que os varejos de eletrodomésticos vendem sem juros, eles colocam nos preços de venda os juros embutidos. As grandes redes têm benefícios junto aos fabricantes e os menores, que pagam mais caro, não conseguem acompanha-las nos preços de venda, ficando a impressão que eles estão dando o beneficio ao cliente. O eletrodoméstico é um bem durável, requerendo uma distribuição do seu valor de compra ao longo de um período maior, como acontece com a compra do veículo, e a reparação de veículos, como o tema “manutenção” já diz, estaria relacionada às despesas rotineiras, não cabendo um financiamento em longo prazo. Se o cliente não consegue fazer a manutenção, ele não tem condições de ter um veículo”.

Roberto Rocha, da Rocha Autopeças

 

​“O consumidor se acostumou a pagar uma prestação por tudo o que compra. Isso foi impulsionado pela estratégia de venda das grandes lojas de eletrodomésticos, bem como das concessionárias oferecendo financiamento do veículo sem entrada. No atual cenário macro econômico, a realidade mudou. A inadimplência aumentou e o acesso ao crédito se restringiu, elevando o custo do capital.​ Uma venda em 10 vezes ‘sem juros’ pode representar um custo de aproximadamente 20%. O cliente estaria disposto a pagar esse valor a mais? Em alguns casos sim, mas para aqueles que fazem conta, não. Caso tenhamos uma linha de crédito com custo baixo, conseguiremos oferecer vantagens com preço e prazo ao cliente e, com essa flexibilização, teríamos significativo incremento nas vendas”.

Marcos Santana, da Centrocar

 

“O esforço tem que ser em conjunto de toda a cadeia para despertarmos o interesse nas financeiras de investir no nosso ramo de negócio. Com um prazo maior da indústria e do distribuidor e profissionalismo e agressividade na concessão de crédito por parte do varejo poderemos aumentar a participação no orçamento, no bolso, do consumidor vendendo peças e fomentarmos toda a cadeia de reposição”.

Flávio Ramos, da Ramos & Copini

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