Empresa criada em 1937 representa Minas Gerais em ‘O varejo pelo varejista’

Estado é o quinto a avaliar sete quesitos fundamentais para o sucesso das lojas de autopeças em todo o país

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A viagem pelos 27 estados brasileiros da série que incentiva o exercício da autocrítica no varejo nacional a partir da visão de alguns dos mais bem-sucedidos empresários do segmento no país chega a Minas Gerais para ouvir uma das empresas mais tradicionais do segmento: a Cruzeiro Autopeças.

Criada no ano de 1937, a loja conta com quatro filiais no perímetro da Grande Belo Horizonte e tem se constituído em um exemplo de longevidade, modernização constante e profissionalização da administração familiar.

Filho do falecido Renato Marangon – um dos baluartes da empresa – Paulo Marangon administra a empresa ao lado do irmão Emerson, e tem obtido sucesso na difícil missão de aliar o ‘selo de qualidade’ tão característico da Cruzeiro às exigências cada vez mais inovadoras do segmento.

As razões desse sucesso se traduzem na forma criteriosa com que Paulo avalia os sete quesitos do questionário, sobretudo em ‘Propaganda e Marketing’ e ‘Ferramenta de Vendas’, atribuindo a falta de qualidade à indisposição do setor em investir em um ambiente relativamente novo e de difícil penetração para o segmento.

 

O Varejista

 Paulo Marangon, Diretor da Cruzeiro Autopeças – Belo Horizonte (MG)

 PRECISÃO ADMINISTRATIVA

Em um mercado cada dia mais competitivo em que as empresas têm de minimizar desperdícios para lidar com as dificuldades impostas pelo ambiente, incluindo os efeitos ainda presentes da crise financeira nacional, os varejistas necessitam atingir excelência nesse quesito.

 Regular

Enfrentamos um período de incertezas, porém, com uma administração eficaz, é possível superar os obstáculos, alcançar as metas traçadas e dar passos maiores em busca de crescimento.

  • PROPAGANDA E MARKETING

As ferramentas de propaganda e marketing são complexas nos dias atuais. É preciso cobrir diversas áreas do espectro midiático e contemplar as variadas ferramentas proporcionadas pela internet.

 Ruim

Em sua maioria os varejistas de autopeças não investem muito em publicidade e propaganda, uns por falta de verba e outros por não sentirem necessidade. Penso que um plano de marketing bem executado é fundamental para o sucesso de uma empresa, seja ela pequena, média ou grande.

  • FERRAMENTAS DE VENDAS

Somente as vendas no varejo físico não são mais suficientes para suprir a demanda da chamada geração millenium de consumidores. É preciso dar cobertura no e-commerce de maneira interativa e eficiente.

 Ruim

Nesse quesito percebemos claramente a pouca presença do varejo de autopeças, isso ocorre devido à falta de disposição do setor em investir em um ambiente relativamente novo e de difícil penetração para o segmento. São vários os obstáculos, entre eles a falta de conhecimento dos clientes para consumirem autopeças online, a dificuldade de integrar os estoques das lojas físicas e o e-commerce, a concorrência desleal, que oferece peças falsificadas, recondicionadas (dizendo que são novas) ou roubadas.

  • QUALIDADE NO ATENDIMENTO

Iniciar o atendimento no balcão com um sorriso sincero é o primeiro passo para a consumação de uma venda e a fidelização do cliente. Embora a tecnologia venha ganhando importância no varejo, as relações humanas ainda são fundamentais.

 Regular

As empresas precisam investir mais em treinamentos, tanto comportamentais, que ensinam os colaboradores a ouvir e entender as necessidades dos clientes, quanto técnicos. Pois o sorriso cativa o cliente e o conhecimento técnico faz com que ele confie no vendedor e na empresa, tornando-o fiel.

  • TRABALHO EM EQUIPE

A integração de todos os setores da empresa e o controle do turnover de funcionários são indispensáveis para a consolidação da identidade de um varejo. É preciso esforço conjunto contínuo para criar a tão falada cultura empresarial positiva.

 Regular

As organizações devem conseguir passar para a equipe a importância do trabalho conjunto; novamente, é preciso treinar os colaboradores para que tenham essa consciência. Também é fundamental que todos na equipe desenvolvam a postura de dono da empresa.

  • FOCO NA ESTRATÉGIA

Análises de indicadores como tíquete-médio, áreas da loja mais visitadas, produtos mais vendidos e até vendas por minuto são fatores primordiais para a formulação de estratégias de negócio.

 Regular

É preciso estar atento aos indicadores, a princípio pode ser através de anotações ou planilhas, mas a partir de certo estágio é necessário investir em tecnologia e sistemas de ERP, capazes de fornecer informações integradas em tempo real. Nesse quesito firmamos uma parceria com a Sankhya Gestão de Negócios e estamos trabalhando para tirar o máximo proveito dessas informações.

  • ANÁLISE DOS CONCORRENTES

Observar os pontos negativos e positivos dos concorrentes pode ser o primeiro passo para uma mudança no próprio negócio. Varejistas precisam estar sempre atentos às novidades do mercado para não ficar para trás.

 Bom

Aqui basta um pouco de curiosidade, mente aberta e, pronto. Podemos ir à loja de um concorrente descobrir como são os processos, telefonar para outro e entender suas táticas e sua formação de preços, enfim, descobrir o que eles têm de bom que possamos aplicar em nosso negócio e perceber o que fazem de ruim para não repetirmos em nossa empresa.