Depois de passar por São Paulo, Goiás e Bahia, ‘O varejo pelo varejista’ chega ao Rio Grande do Sul

Série avalia atributos do varejo de autopeças em todo o Brasil pela ótica dos principais empresários do segmento no país

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Um novo ano chegou trazendo com ele as velhas dúvidas e receios de instabilidade econômica, política e social no cenário macro brasileiro.

Com isso, mais do que nunca é fundamental que cada segmento analise seus pontos fortes e fracos para que, com muito trabalho, a excelência operacional e de gestão no setor possa suplantar de certa forma as dificuldades impostas pela conjuntura nacional.

 

Idealizada com esse objetivo, a série “O varejo pelo varejista” chega à sua quarta edição trazendo as reflexões da maior rede de privada de lojas de autopeças do estado do Rio Grande do Sul: a Ramos e Copini.

Dona de um portfólio de mais de 40 mil clientes considerando varejo e atacado, a empresa faz uma análise de quesitos importantes da reposição automotiva por meio de seu diretor geral, Flávio Ramos, e sugere algumas medidas para a melhor eficiência das empresas.

Dentre as sugestões oferecidas está a da adoção de um foco maior nas ferramentas digitais, sobretudo no que se refere à ‘infoestrutura’ – ou seja, à coleta e utilização de indicadores de gestão. Ramos alerta que, para que isso aconteça, no entanto, é necessário que o país diminua os custos dessas ferramentas tornando-as mais acessíveis aos mais diversos portes de varejo.

O Varejista

 Flávio Ramos, diretor geral da Ramos e Copini – Frederico Westphalen (RS)

  • PRECISÃO ADMINISTRATIVA

Em um mercado cada dia mais competitivo em que as empresas têm de minimizar desperdícios para lidar com as dificuldades impostas pelo ambiente, incluindo os efeitos ainda presentes da crise financeira nacional, os varejistas necessitam atingir excelência nesse quesito.

Regular

Nas empresas que não sonegam fica muito mais fácil ter indicadores confiáveis e, com isso, fazer uma gestão eficiente. Entretanto, no geral as empresas não fazem um orçamento detalhado para analisar o futuro e assim promover as ações necessárias a fim de atingir um resultado melhor.

  • PROPAGANDA E MARKETING

As ferramentas de propaganda e marketing são complexas nos dias atuais. É preciso cobrir diversas áreas do espectro midiático e contemplar as variadas ferramentas proporcionadas pela internet.

Ruim

A nossa cadeia como um todo ainda faz uso de ferramentas antigas – tradicionais – e não busca inovações com as mídias digitais. Se olharmos somente para as campanhas que as fábricas e os distribuidores oferecem a avaliação é ainda pior, ao passo que observamos que essas são feitas somente em cima da compra e não do que deveria ser o foco principal, que é a venda.

  • FERRAMENTAS DE VENDAS

Somente as vendas no varejo físico não são mais suficientes para suprir a demanda da chamada geração millenium de consumidores. É preciso dar cobertura no e-commerce de maneira interativa e eficiente.

Ruim

Falta treinamento profissional, metodologia e um sistema de consulta de peças eficiente. Ainda estamos na era dos catálogos – mesclados com algumas poucas informações virtuais –, o que nos coloca muito longe dos mercados desenvolvidos. Somamos alguns poucos pontos quando conseguimos um forte relacionamento pela emoção e por nossa intimidade com os mecânicos.

  • QUALIDADE NO ATENDIMENTO

Iniciar o atendimento no balcão com um sorriso sincero é o primeiro passo para a consumação de uma venda e a fidelização do cliente. Embora a tecnologia venha ganhando importância no varejo, as relações humanas ainda são fundamentais.

Bom

Acertamos na simpatia e vontade de resolver o problema do cliente, mas pecamos no momento do fechamento, da efetividade, de uma venda adicional, ou seja, de uma venda com maior resultado. Mas, de maneira geral, a aproximação com o cliente é uma grande vantagem competitiva de nosso varejo.

  • TRABALHO EM EQUIPE

A integração de todos os setores da empresa e o controle do turnover de funcionários são indispensáveis para a consolidação da identidade de um varejo. É preciso esforço conjunto contínuo para criar a tão falada cultura empresarial positiva.

Regular

O investimento em pessoas e em um ERP que garanta os processos corretos e rápidos ainda não é realidade em todas as empresas do nosso ramo, infelizmente. Poderíamos ser muito mais eficientes com uma melhor troca de informações e uma otimização do trabalho em conjunto.

  • FOCO NA ESTRATÉGIA

Análises de indicadores como tíquete-médio, áreas da loja mais visitadas, produtos mais vendidos e até vendas por minuto são fatores primordiais para a formulação de estratégias de negócio.

Ruim

Normalmente não existe investimento em ‘infoestrutura’ para ter todas essas informações – já que os custos para tanto ainda são altos no Brasil. Em razão disso, o varejista consegue analisar e administrar somente com parte desses indicadores. Outra questão que prejudica uma estratégia de longo prazo é a instabilidade de nosso país.

  • ANÁLISE DOS CONCORRENTES

Observar os pontos negativos e positivos dos concorrentes pode ser o primeiro passo para uma mudança no próprio negócio. Varejistas precisam estar sempre atentos às novidades do mercado para não ficar para trás.

Bom

Já conheci muitos casos de sucesso que poderiam ser usados como referência. Nem sempre a empresa consegue ter excelência em tudo, mas, mesmo assim, ela atinge um determinado sucesso. Para evoluirmos, a dica é olharmos para o que outros ramos de negócio – muito mais evoluídos que a reposição – estão fazendo.