Cresce faturamento das indústrias de autopeças no semestre

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O faturamento líquido nominal do setor de autopeças no primeiro semestre cresceu 16,3% sobre o registrado em igual período de 2016, segundo levantamento mensal com 64 empresas associadas ao Sindipeças que representam 32,2% das vendas totais do setor de autopeças no Brasil. O aumento ocorreu em todos os segmentos de mercado (montadoras, reposição e intrassetorial), com exceção das exportações em reais, que caíram 9,7%, devido à valorização da moeda local, embora tenham crescido 5,2% em dólares. O nível de utilização da capacidade manteve-se estável em 66% em junho. Quanto ao número de empregados, houve redução de 2,1% de janeiro a junho, sobre os mesmos meses do ano passado.

O acirramento da crise política, após delação premiada de executivos da JBS, conjugado ao julgamento da chapa Dilma-Temer pelo Superior Tribunal Eleitoral (STE) no início de junho, amplificou a instabilidade no País, com nítido reflexo para os índices de confiança e decisões de produção e investimento. Por isso, o faturamento do setor de autopeças encolheu 6,0% em junho, após avanço de 18,6% na passagem de abril para maio, observando-se queda na maioria dos canais de vendas, com exceção das exportações. Estas, por seguirem ritmo próprio, independem de episódios internos, sendo mais suscetíveis ao comportamento da taxa de câmbio e à intensidade e ao perfil de crescimento das importações em outros países. As vendas para Montadoras recuaram 9,8%, para o mercado de reposição, 4,8% e intrasetoriais, 8,1%, na comparação ao mês imediatamente anterior (junho/17 x maio/17). Por sua vez, as exportações, medidas em reais e em dólares, cresceram 8,8% e 6,0%, respectivamente. Vale sublinhar ainda que a produção de autoveículos encolheu 15,4% entre maio e junho, de acordo com a Carta da Anfavea, confirmando a reação negativa dos atores econômicos, num primeiro instante, ao agravamento da crise política.

Ao se comparar o faturamento àquele apurado em junho de 2016 (16,6%), vislumbra-se, a exceção do mercado de reposição, cujas vendas encolheram 6,1%, crescimento nos demais canais de venda. Para as Montadoras, a receita nominal avançou 27,1%, nas relações intrassetoriais, 22,5% e nas exportações, em dólares, 11,9%. Para as duas primeiras, é inegável a influência da produção de autoveículos que subiu 15,1% no confronto com junho do ano passado. No acumulado do ano e nos últimos doze meses, a renda nominal líquida se elevou 16,3% e 10,9%, respectivamente. O crescimento ocorreu de maneira generalizada, menos para as exportações em reais, que, em virtude da valorização da moeda local nos períodos em tela, caíram 9,7% e 11,9%, respectivamente. O nível de utilização da capacidade (NUCI) se manteve estável em junho (66%), o que pode indicar que os efeitos da crise política tiveram maior influência para as decisões de consumo e investimento do que as de produção. Como mostra a Pesquisa Indústria Mensal (PIM/IBGE), a produção de peças e acessórios para veículos automotores cresceu 1,5% em relação a junho de 2016 e 7,5% no ano até junho. O emprego recuou 1,1% frente a maio, porém manteve, pelo segundo mês consecutivo, expansão em relação a igual período do ano anterior