Compartilhamento de viagens prevalece sobre o de automóveis

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A mobilidade compartilhada é uma das mais impactantes tendências em curso no setor automotivo. De acordo com Rodrigo Custódio, da Roland Berger, o compartilhamento de viagens – em que se destacam aplicativos como Uber e 99 – prevalece sobre o compartilhamento de veículos – neste temos como exemplos empresas como Zipcar e Car2Go. “O compartilhamento de automóveis é um modelo que ainda não teve sucesso mesmo em países desenvolvidos. Já o modelo do compartilhamento de viagens está funcionando muito bem. E essa indústria acaba disruptando tanto locadoras e taxistas quanto a própria indústria automobilística”.

Como exemplo de disruptura, o consultor cita a cidade norte-americana de São Francisco, onde o mercado de táxis movimentava 200 milhões de dólares antes do Uber, receita que agora é de 140 milhões. “Houve uma disrupção, ou seja, o mercado de táxis diminuiu. Por outro lado, foi criado um novo mercado, já que o Uber passou a movimentar 1 bilhão de dólares”. É fácil perceber que a mudança não atingiu apenas os antigos clientes dos táxis, mas também proprietários de carros particulares, que passaram a usar o modelo de transporte compartilhado, abandonando o automóvel próprio ou deixando-o mais tempo na garagem – situação que deve impactar o mercado de manutenção veicular. “A cidade de São Paulo é hoje o segundo maior mercado do Uber no mundo. Um motorista Uber já pode comprar carros da Renault ou JAC, por exemplo, com desconto. O sistema movimenta 10 milhões de reais por dia e até o final do ano a gente estima que vai crescer ainda uns 10%. E são demandas novas que a gente não tinha no mercado há pouco tempo, ou seja, o motorista da Uber é alguém que tem necessidades semelhantes a um taxista, é alguém que roda muito com o carro, mas também usa aquele veículo para beneficio próprio. Então é um perfil de motorista que nós não tínhamos antes no Brasil, e isso vai começar a impactar os serviços. Estamos falando de uma frota de 100 mil motoristas só na capital paulista, uma frota que vai envelhecendo e vai começando a ter necessidade de manutenção muito mais agressiva e cuja percepção de qualidade acerca do veiculo começa também a mudar”.

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