Como lidar com pessoas grosseiras?

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Por Luiz Marins – antropólogo e consultor

A pergunta acima me foi enviada por uma telespectadora de meus programas de televisão. Segundo ela, as pessoas perderam a noção e o conceito de polidez e educação no ambiente de trabalho: “As pessoas são grosseiras em tudo”, afirma ela. “São grosseiras no falar, no comer, no sentar, na forma de responder, no reclamar”, continua. E essa telespectadora não foi a primeira a me fazer o mesmo comentário. O que fazer?

A falta de educação e de polidez está tornando difícil ou quase impossível o convívio entre chefes e subordinados, entre colegas de trabalho, entre colaboradores e clientes e fornecedores. A verdade é uma só: ou fazemos um pacto de civilidade em nossas empresas e organizações ou a guerra surda ou declarada só irá piorar.

E dentro desse pacto as empresas e organizações precisam, com urgência, realizar treinamentos de civilidade e boas maneiras para seus colaboradores. Conheço empresas que têm vergonha de fazer esse tipo de treinamento acreditando que possa ofender os colaboradores. Puro engano! As pessoas hoje precisam e querem aprender o que seus pais e a escola não ensinaram.

A forma de discutir boas maneiras tem que ser bem cuidada para que o tema não vire gozação ou afetação exagerada, nem constranger as pessoas. Podem ser utilizados vídeos, trechos de filmes, exercícios, tudo de forma leve e descontraída, explicando-se o conceito de civilidade e de dignidade e sua importância para o convívio saudável entre as pessoas, principalmente no ambiente de trabalho, onde não escolhemos as pessoas com quem convivemos.

Pessoas “grosseiras”, como descreveu a telespectadora, nem sempre têm culpa de sua grosseria. A maioria delas não recebeu uma educação civilizada. Há pessoas a quem nunca foi ensinado sequer como pegar num garfo e faca, como se comportar numa reunião social ou num ambiente de trabalho e menos ainda como falar sem ofender ou mesmo a consciência de que seus direitos terminam onde começam os direitos das outras pessoas. É preciso fazer a caridade de ensiná-las.

Muitos me dirão ser um absurdo que a empresa tenha que educar para a civilidade, o que deveria ser uma atribuição da família e da escola. Concordo! Mas se quisermos ter sucesso e paz em nossas empresas e organizações vamos ter que enfrentar mais esta!

Pense nisso. Sucesso!