Carros brasileiros terão novos itens obrigatórios de segurança

Por Claudio Milan

Já está em andamento a elaboração do calendário de implantação dos novos itens obrigatórios nos veículos brasileiros no período de 2020 a 2030. Após os ganhos em eficiência energética e powertrain promovidos pelo extinto programa InovarAuto, a nova política industrial para o setor automotivo, o Rota 2030, coloca foco na segurança veicular – ainda que não deixe de lado as questões relacionadas à propulsão, pelo contrário, amplia exigências. “O Rota veio para dar uma continuidade ao Inovar e a outras questões que o Inovar não conseguiu fechar, principalmente na cadeia de fornecedores. Uma dessas questões, que não existia anteriormente, diz respeito à segurança veicular. Agora nós temos um roadmap de segurança veicular no Rota e nossos veículos terão de ser mais competitivos nesse quesito. Será um novo patamar para a indústria nacional” disse Marcus Vinicius Aguiar, vice-presidente da Anfavea durante sua apresentação no 7º Fórum IQA da Qualidade Automotiva, realizado em setembro na cidade de São Paulo.

Segundo o representante da associação que reúne as montadoras, as exigências da nova política para o setor automotivo terão forte impacto nas linhas de montagem. “Isso vai mudar completamente os veículos produzidos aqui porque nós vamos ter que lançar novos modelos em função desse pacote. Para cumprir com essas obrigatoriedades será necessário ter uma outra estrutura de veículo. Para ter, por exemplo, os airbags laterais, a estrutura terá de ser mais rígida e mais leve, estamos falando de um outro tipo de aço”.

As mudanças cobrarão das empresas a criação de novas expertises. Mais uma vez, a inovação ganha protagonismo na indústria de sistemas e componentes automotivos. “O objetivo é reduzir a defasagem técnica dos nossos veículos em relação aos comercializados nos países desenvolvidos”, explicou no mesmo evento Daniel Mariz Tavares, coordenador geral de Segurança Viária do Denatran – Departamento Nacional de Trânsito. “São itens já publicados pelo Denatran. Estamos tratando de tecnologias que parecem ser de um passado muito antigo, como o cinto de três pontos. Mas também pensamos lá na frente, como a questão dos veículos autônomos. O Brasil precisa entrar de vez nessa análise da autonomia dos veículos no que diz respeito à legislação do trânsito. Às vezes o trânsito fica refém dos desenvolvimentos externos e acorda apenas quando a tecnologia já está no Brasil”, cobrou o executivo.

No Fórum IQA, o vice-presidente da Anfavea apresentou o cronograma de estudos técnicos e regulamentação das novas obrigatoriedades de itens de segurança (veja quadro a seguir). Algumas exigências já estão prontas para implantação. Outras, no item C, ainda sequer foram regulamentadas na Europa.