Balconista paranaense mantém Honda Civic 2001 intocado

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Valdomiro Guimarães não deixa que outra pessoa opere a parte mecânica de seu xodó e já restaurou, ele mesmo, o motor de 16 válvulas

Lucas Torres

jornalismo@novomeio.com.br

Dedicando-se a mostrar a paixão dos balconistas de autopeças por carros, a série “Meu xodó” estreou na última edição do Novo Varejo em grande estilo. O funcionário da loja gaúcha Ramos & Copini, Euclides Rocha, de 42 anos, apresentou sua Rural Willys ano 1971 dando a oportunidade aos leitores mais saudosistas relembrarem de uma época de ouro em que o automóvel individual passava a se consolidar no país, bem como apresentando aos mais jovens o conhecimento de um pedaço da história automobilística nas nossas terras.

No entanto, nem só de “velhinhos” viverá a série “Meu xodó”. Na segunda reportagem da série, o protagonista é 30 anos mais jovem e alguns cavalos mais potente.

Conheça agora o Honda Civic 2001 de Valdomiro Guimarães, balconista que há 21 anos trabalha na Unipeças de Curitiba (PR).

O personagem

Valdomiro Guimarães, de 39 anos, ingressou na paranaense Unipeças aos 18 anos de idade na função de motorista, de onde rapidamente se transferiu para o balcão de peças – segundo ele – por “questões de identificação”.

Hoje, mais de duas décadas passadas de sua entrada na empresa, Guimarães é considerado um dos símbolos do negócio – simbolizando tudo aquilo que um varejo de autopeças espera de seu vendedor: comprometimento profissional, conhecimento técnico e identificação com a missão e os valores transmitidos pelas lideranças.

O balconista, que considera a paixão por automóvel uma das características primordiais da profissão, leva esse apreço pelo carro e seus compartimentos para além dos “limites do razoável”, chegando ao ponto de, mesmo sem ser mecânico de formação, desmontar e refazer o motor de seu xodó, o Honda Civic 2001, por completo – após uma quebra ocasionada pelo entupimento da bomba de óleo.

“Eu gosto tanto do meu carro que não deixo ninguém mexer na mecânica dele. Somente eu. E, nesse episódio em que o motor bateu, me senti na obrigação de restaurá-lo”, introduz o personagem para logo depois detalhar o processo.

“Inicialmente solicitei a ajuda de um amigo mecânico para identificar o problema, depois verifiquei o manual do carro e assisti a alguns tutoriais no youtube. Foi uma experiência muito gratificante”, conta.

 

O veículo

Com motor 1.7 e 16 válvulas, o Honda Civic 2001 de Valdomiro Guimarães pode ser considerado “um modelo especial” – se comparado a outros automóveis de sua época. Naquela altura, ele trazia acessórios e equipamentos valiosos, como banco de couro, airbag, direção hidráulica, vidros elétricos, ar-condicionado e freio ABS. Um verdadeiro automóvel completo.

Para manter essa máquina do início do século em bom funcionamento, o balconista conta que não se descuida de sua manutenção – adotando procedimentos metódicos e consistentes.

“Não relaxo na manutenção do meu Civic. Faço manutenção completa a cada 5 mil quilômetros, verifico filtros e níveis de óleo semanalmente e, uma vez por dia, checo a água”, conta o orgulhoso Guimarães.

Embora trate seu xodó com todo esse cuidado, o personagem não se priva de enfrentar algumas aventuras com o veículo. Ele relata que, certa vez, em viagem para o estado de Santa Catarina, enfrentou uma estrada de terra – ou melhor, de barro – em dia chuvoso.

A atitude desafiou o heroísmo do Honda Civic, que acabou sucumbindo ao atolamento no terreno teve de ser guinchado por uma caminhonete 4×4.

Aventuras cotidianas à parte, Valdomiro Guimarães considera o Honda Civic o carro de seus sonhos e recorda exatamente o momento em que se apaixonou pelo modelo. “Me encantei e passei a sonhar em ter um Civic prata quando, certo dia, vi um modelo igualzinho ao que tenho hoje estacionado perto da minha casa. Claro que hoje ainda quero um modelo mais recente, mas a minha joia eu não vendo e nem troco”, encerra Valdomiro.

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