Análise de dados contribui para a construção de um varejo mais eficiente

Plataformas de ‘analytcs’ estão cada vez mais acessíveis a pequenos e médios empresários

Por Lucas Torres ([email protected])

A era das ‘grandes ideias’ e insights que são colocados em prática sem apontamento lógico que evidencie ou ao menos indique sua eficácia parece estar chegando ao fim. Mas isso não significa que o conhecimento tácito do empreendedor a respeito do seu mercado e de seus clientes não seguirá desempenhando papel fundamental na formulação de estratégias que possam contribuir para o negócio nos aspectos gerencial e administrativo ou ainda na área de marketing. Pelo contrário, esse conhecimento servirá de contribuição indispensável para a aplicação dos apontamentos sugeridos pela análise dos dados coletados do dia a dia do negócio e de seu entorno.

Essa foi a principal mensagem deixada pelo SAS Fórum Brasil 2019, evento realizado na cidade de São Paulo nos dias 5 e 6 de junho. Especializada em softwares para a coleta e interpretação de dados, a empresa nascida nos Estados Unidos e que atualmente atua em 140 países – incluindo em sua ‘carta de clientes’ 91 das 100 maiores empresas do planeta – reuniu seu grupo de executivos e alguns convidados para traçar um panorama geral do impacto da coleta e análise de dados para a maximização da eficiência de negócios nos mais variados setores.

Responsável por conduzir a abertura do evento, o presidente do SAS no Brasil, Cássio Pantaleoni, afirmou que o papel dos dados no negócio é tornar o ‘imprevisível obsoleto’. E, para mostrar um exemplo prático deste conceito, o evento destacou o case da Volvo, que ao superar o imprevisível, reduziu em 70% o tempo de diagnóstico de falhas em seus caminhões.

A greve realizada pelos caminhoneiros em maio de 2018 escancarou o caráter indispensável dos veículos pesados para o funcionamento de nossa economia como um todo. Sem a circulação contínua dos caminhões em nossa malha rodoviária por apenas nove dias, passamos a conviver com crise de abastecimento de alimentos, combustíveis, atrasos na cadeia de suplementos industriais, entre outros problemas que trouxeram graves efeitos para a economia do país.

Ciente da importância dos caminhões para o Brasil, a Volvo recorreu à análise de dados em tempo real para antecipar o diagnóstico de falhas em seus veículos a fim de antecipar e corrigir problemas antes mesmos que eles aconteçam.

Hoje, mais de 800 mil caminhões Volvo já operam com sensores capazes de detectar desgastes e probabilidades de falhas nos componentes do veículo enviando em tempo real essas informações para monitores na central da empresa operados 24 horas por dia pelos funcionários da marca – que, ao perceberem alguma irregularidade, contatam o motorista na estrada por meio de um canal direto, solicitando que ele se dirija a uma oficina ou, em caso de uma questão simples, corrija ele mesmo o problema. “Esse sistema permitiu com que antecipássemos em 70% o tempo de diagnóstico de falhas nos caminhões Volvo”, pontuou a técnica do SAS, Fernanda Knopki.

Além da análise de dados dos componentes em tempo real, a montadora de origem sueca recorreu aos óculos de realidade virtual para aumentar a produtividade na manutenção. De acordo com Fernanda, na hora de resolver um problema de certa complexidade, os mecânicos colocam óculos de realidade virtual para que profissionais mais especializados, chamados por ela de ‘supertécnicos’, observem os componentes de maneira remota e apontem as ações a serem executadas. “Essa dinâmica diminuiu de 10 para 3 dias o tempo dos caminhões no pátio”, comemorou a palestrante. As estratégias utilizadas pela Volvo desde 2012 podem, em breve, ser traduzidas também para o mercado de manutenção de veículos leves, com impactos em todos os elos da cadeia de negócios do aftermarket.

Soluções contemplam pequenos varejos

Habituado a atender alguns dos principais varejos do mundo, o SAS tem feito esforços para elaborar soluções voltadas a varejistas dos mais variados portes. De acordo com a consultora de pré-vendas da empresa, Cristiane Rodrigues, esse nicho de mercado tem buscado tecnologias que o auxiliem a ingressar nos cenários de previsão como, por exemplo, demandas fixas e sazonais. “Os varejistas sabem onde querem chegar e o que precisam é estar munidos de informações que lhes permitam se planejar e tomar decisões mais assertivas”, analisa Cristiane.

Embora pareça muito distante da realidade de varejos que recém iniciaram seu processo de digitalização, a utilização de dados para o gerenciamento do negócio é muito mais acessível do que parece. Para o técnico do SAS especializado em varejo, Marcelo Yassuo, qualquer empresa que utiliza notas fiscais possui informações-chave como histórico de compras, vendas e alguns dados de clientes. “Além disso, a simples disponibilização de wi-fi para os consumidores pedindo um login via rede social, por exemplo, permite a coleta de uma série de dados fundamentais para o entendimento do perfil de cada um dos indivíduos que utilizaram o wi-fi da loja e, convenhamos, o custo disso está longe de ser de outro mundo”, afirma Yassuo. “Há, ainda, uma série de outras alternativas como o acesso a dados públicos de demografia, bem como a compra de dados de pesquisas de mercados para aferir informações de concorrentes, de preferência sobre produtos. A gama de coleta de dados é muito grande”, sugere o especialista.