Adesão do consumidor a inovações exige novas posturas nas empresas

Por Claudio Milan

A Uber está completando cinco anos de atividades no Brasil. Neste curto período, o impacto promovido pela empresa na maneira como as pessoas se deslocam foi extraordinário. Basta dizer que já são 2,6 bilhões de viagens realizadas no país, percorrendo 17 bilhões de quilômetros.

Há cinco anos, a proposta de conectar, via smartphone, proprietários de automóveis com pessoas que precisavam ir de um ponto a outro talvez não demonstrasse o real potencial de transformação do conceito. Hoje, no entanto, sabemos que o transporte por aplicativos não vai parar por aí. Muita gente já está fazendo contas e repensando a ideia de ter um carro próprio.

A transformação foi constatada também pela Pesquisa Origem Destino, realizada pela Companhia do Metropolitano de São Paulo. Trata-se do maior levantamento de mobilidade urbana realizado no Brasil, com dados apurados a cada 10 anos pelo Metrô.

Divulgado no último mês de agosto, o estudo referente a 2017 entrevistou 156 mil pessoas nas 39 cidades que formam a Região Metropolitana de São Paulo. Entre tantas conclusões, a principal constatação foi o crescimento extraordinário das viagens de táxi: 414%. Mas tem um detalhe: os serviços acionados por aplicativos responderam por nada menos que 79% do total dessas viagens. Portanto, fica claro que não foram os táxis regulares que ganharam mais clientes.

Por trás dessa revolução está um personagem fundamental, mas nem sempre valorizado pelo mercado de reposição: o consumidor. A adesão da sociedade aos novos serviços de mobilidade foi e continuará sendo decisiva para apontar os rumos que o mercado automotivo deverá seguir nos próximos anos.

E este cidadão está ansioso por inovações. O capítulo brasileiro da pesquisa Global Automotive Survey 2019, realizada pela consultoria KPMG, revela que 90,44% dos consumidores gostariam de ter veículos elétricos para comprar no país. Outra constatação com potencial transformador é o fato de 87,04% dos brasileiros demonstrarem interesse por veículos por assinatura.

Os índices foram apresentados em setembro no 7º Fórum IQA da Qualidade Automotiva, realizado em 16 de setembro em São Paulo. Durante o evento, ficou claro que um dos imperativos para a indústria suportar o período disruptivo que vem por aí é entender muito bem o consumidor, cada vez mais exigente, e proporcionar as melhores experiências a ele. “É preciso trabalhar com enorme quantidade de dados, nunca antes disponibilizada, para entregar soluções que atendam demandas reais. E a cultura da qualidade precisa fazer parte do DNA de todas as empresas”, completou Ingo Pelikan, presidente do IQA e gerente sênior de Gerenciamento de Fornecedores da Mercedes-Benz, ao abrir o fórum. Ao que tudo indica, a velha máxima da quitanda que existia na rua da casa de nossos avós está mais atual do que nunca: “o cliente tem sempre razão”.